Publicada em: 03/06/2026 - 24 visualizações
Juiz de Fora possui cerca de 25% de sua população vivendo em áreas de risco e figura entre as cidades brasileiras com maior ocupação urbana em encostas íngremes. Os dados foram apresentados pela e consultora da GEOPHI, Anna Laura Nunes, durante a palestra O Desafio da Resiliência Urbana, realizada na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), como parte do seminário Risco Ambiental e Políticas para a Resiliência: Por Juiz de Fora. A pesquisadora apresentou um diagnóstico sobre a vulnerabilidade geológica do município e detalhou o projeto executivo elaborado para a recuperação e estabilização do Morro do Cristo.
Segundo Anna Laura, estudos e mapeamentos de risco realizados nos últimos anos demonstram o avanço da ocupação de encostas no município. De acordo com dados apresentados durante o evento, a ocupação dessas áreas aumentou 2,3 vezes entre 1985 e 2024. Imagens comparativas de diferentes regiões da cidade evidenciam o crescimento da densidade urbana em áreas suscetíveis a movimentos de massa. A pesquisadora destacou que a combinação entre ocupação de encostas e eventos de chuva intensa contribui para processos de instabilidade do terreno.
O Presidente da Câmara Municipal, Zé Márcio-Garotinho (PDT), lembrou que em fevereiro de 2025, um ano antes dos eventos de 23 de fevereiro de 2026, a Câmara realizou uma Audiência Pública em que os dados da realidade geológica de Juiz de Fora foram apresentados e levaram à compreensão sobre atualizar e investir na Defesa Civil como forma de prevenção, contenção e minimização de danos. “A cidade foi ocupada historicamente dessa forma ao longo dos seus 176 anos, e precisamos mudar essa realidade. Hoje estamos falando de cerca de 130 mil habitantes ocupando uma área de aproximadamente 12 milhões de metros quadrados, ou 1.250 hectares. Não é uma questão simples e nem existe uma solução que passe pela realocação de todos. É um desafio enorme, que não pertence apenas ao Poder Público, mas à sociedade e à cidade inteira”.
Ao abordar a situação do Morro do Cristo, Anna Laura explicou que foram identificados 26 blocos rochosos e dois agrupamentos de rochas com potencial de desprendimento. Segundo ela, o principal desafio é promover a estabilização dessas estruturas para reduzir os riscos à população e às áreas localizadas no entorno.
O projeto executivo apresentado prevê um conjunto de intervenções destinadas à contenção de blocos rochosos, fluxos de detritos e enxurradas, além da recuperação de áreas afetadas pelos deslizamentos registrados na região. Entre as soluções propostas, estão a instalação de barreiras flexíveis para contenção de materiais, estruturas de amortecimento para retenção de lama e dissipação da energia das águas pluviais, sistemas de estabilização dos blocos instáveis e obras de drenagem e contenção na área do Mirante do Imperador. O projeto também considera medidas voltadas ao atendimento dos moradores, à recuperação de áreas impactadas e à preservação das características paisagísticas e ambientais do morro.
Juiz-foranos participam na mesa de encerramento do Seminário
À tarde, o Seminário reuniu autoridades da Prefeitura, da Câmara Municipal e da sociedade civil em um espaço aberto para sugestões e expectativas quanto à reconstrução da cidade. Os secretários presentes apresentaram as ações desenvolvidas nos últimos três meses.
O subsecretário de Defesa Civil, Luís Fernando Martins, trouxe dados que dão conta de 9 mil atendimentos de ocorrências e 3.026 laudos emitidos pela Defesa Civil para compor a documentação das famílias que estejam inscritas no programa Compra Assistida, do Minha Casa Minha Vida. O programa vai enviar R$600 milhões em investimentos para recompor as moradias das famílias atingidas.
A vereadora Letícia Delgado lembrou que quando se fala em moradia segura são diversos os desafios, exigindo a mobilização de uma complexa rede até concretizar a entrega da nova moradia. Nesse sentido, parabenizou o trabalho da Secretaria de Assistência Social (SAS) e da Defesa Civil, reforçando o compromisso da Câmara em ser parceira do Executivo na reconstrução da cidade.
“Em nome da Câmara, se a gente teve a cidade inteira atingida, queremos fazer parte da solução do problema. Nós nos sentimos co-responsáveis por esse processo de reconstrução da cidade, estamos abertos para tudo o que for necessário para que a nossa cidade supere, se reconstrua e se coloque como uma cidade de fato resiliente para outros processos de mudança climática”, finalizou Letícia Delgado.
A plenária O Desafio da Resiliência Urbana integra a programação do seminário Risco Ambiental e Políticas para a Resiliência: Por Juiz de Fora, promovido em parceria pela UFJF, Câmara Municipal, Ministério Público e Prefeitura de Juiz de Fora. O encontro reúne representantes do Poder Público, instituições de ensino, entidades técnicas, setor produtivo e moradores de áreas atingidas pelas chuvas, com o objetivo de discutir estratégias para ampliar a resiliência urbana e reduzir os impactos de desastres socioambientais no município.
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