Publicada em: 15/01/2018 - 262 visualizações

‘Pessoas felizes também podem ficar deprimidas’, afirma médico psiquiatra em palestra sobre o tema na Câmara

‘Pessoas felizes também podem ficar deprimidas’, afirma médico psiquiatra em palestra sobre o tema na Câmara (15/01/2018 00:00:00)
  • ‘Pessoas felizes também podem ficar deprimidas’, afirma médico psiquiatra em palestra sobre o tema na Câmara
 
A Câmara Municipal promoveu na tarde desta segunda-feira, 15, palestra com o  médico psiquiatra David Sender, que falou sobre a depressão. O evento faz parte da programação do Janeiro Branco, mês dedicado às ações em saúde mental, instituído por meio de um projeto de lei do vereador Adriano Miranda (PHS).

“O Janeiro Branco é importante pois nos permite falar amplamente com a sociedade sobre saúde mental, quebrando estigmas e preconceitos sobre este tema”, destacou o vereador.

Em sua palestra, Sender destacou que pessoas felizes também podem ficar deprimidas. “Felicidade não é oposto de depressão. Existem diversos tipos de depressão, como por exemplo, a depressão irritada, onde a pessoa fica intolerante a tudo e a todos. A depressão em que a pessoa fica melancólica, que vemos nos filmes, existe, mas é um estereótipo perigoso”, alerta o médico psiquiatra.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 6% da população brasileira sofre com a depressão, o equivalente a 11,5 milhões de brasileiros. O Brasil é o país com a maior prevalência da doença na América Latina. Em relação ao transtorno de ansiedade, o país tem a maior taxa do mundo: 9,3% da população ou 18,6 milhões de pessoas.

Diante dos números, a pergunta é inevitável: o que causa a depressão? De acordo com David Sender, a doença mental está associada a três fatores: genética,  forma de pensar e  ambiente. “Sem histórico familiar é difícil que alguma pessoa abra qualquer quadro psiquiátrico. Além disso, a forma como interpretamos o mundo e o que nos acontece interfere no modo como sentimos estes eventos. E, por último, há o ambiente, o contexto em que vivemos. A perda de entes queridos ou uma mudança no estilo de vida podem funcionar como ‘gatilhos’, que, em conjunto com os dois fatores anteriores, resultam na depressão”.

Outro alerta feito pelo palestrante diz respeito à tristeza. “A tristeza não é sinônimo de depressão. Ela é apenas um dos sintomas. Alteração no sono, na vontade de realizar atividades e a perda de prazer em atividades antes prazerosas são outros sintomas comuns”, afirma David Sender.

De acordo com ele, a tristeza é uma reação natural: “Charles Darwin escreveu um livro chamado ‘A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais’ em que demonstra que a tristeza é um traço evolutivo. Precisamos dela pra crescer. A depressão não: ela não tem finalidade. A pessoa com depressão não cresce”, diz.


Demora para  procurar assistência

Um dos principais problemas apontados por Sender foi a demora das pessoas em procurarem o médico psiquiatra quando percebem o surgimento dos sintomas, como perda do sono e cansaço prolongado. “As pessoas percebem, mas não procuram ajuda. Vão empurrando com a barriga. A consequência é que elas perdem qualidade de vida”.

O psiquiatra compara a depressão a outros problemas, como a hipertensão. “Se a pessoa sabe que está com pressão alta ou com dores na região do coração, ela vai imediatamente ao médico. Com a depressão não pode ser diferente”, afirma.


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