A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara - oficializada no final de maio para investigar os casos de violência na cidade envolvendos gangues - deu mais um passo importante na manhã desta quinta-feira, 29. Durante 1h30m, o Delegado de Homicídios, Rodrigo Rolli, ministrou uma palestra, no plenário do Legislativo, onde apresentou informações que vão contribuir com a CPI das gangues.
Durante sua explanação, Rolli conceituou o termo gangue - jurídica e criminologicamente - falou do uso de armas que estão sendo utilizadas nos crimes e apresentou um quadro, dividido por regiões, onde as gangues estão atuando. O delegado não quis divulgar os nomes das gangues para não empoderá-las.
Rodrigo também explicou que não há apenas um fator que define o surgimento de uma gangue. Contudo, um dos principais motivos é este modelo capitalista vigente que estimula o consumo exacerbado de marcas para se ter reconhecimento social. Apresentou, também, dados da criminalidade nos últimos anos. Em 2017, até o momento, já foram 49 mortes consumadas, e 75 tentadas. No mesmo período de 2016, foram 56 mortes consumadas e 95 tentativas de homicídios. Cerca de 70% destes homicídios e tentativas de assassinatos estão ligados a gangues, ao revanchismo entre bairros.
Comissão vai ouvir mais especialistas
Além de Rolli, a comissão vai ouvir ainda mais nove profissionais com perfis que podem ajudar na investigação. Entre eles estão jornalista, promotores, juiz, professores pesquisadores, policiais e investigadores. A CPI, presidida pela vereadora Ana do Padre Frederico (PMDB), tendo como relator o vereador Charlles Evangelista (PP), tem 90 dias para concluir os trabalhos e os resultados devem ser apresentados no final de agosto deste ano. André Mariano (PSC), Marlon Siqueira (PMDB) e Sargento Mello (PTB) também fazem parte da colegiado.
Além de montar um diagnóstico sobre as gangues da cidade, avaliar os impactos de suas ações e estudar medidas que possam resolver esta situação, a CPI também tem a intenção de analisar projetos sociais que possam contribuir e melhorar a qualidade de vida da população de Juiz de Fora.
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