Com o intuito de alertar a população sobre as doenças transmissíveis aos humanos por meio dos animais e dar um diagnóstico preciso de mortes suspeitas por infecção animal, o vereador Vagner de Oliveira (PSC) convocou audiência pública na tarde desta terça-feira, 20, para propor a criação do Departamento de Necropsia Animal.
O fiscal do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), Luciano Carlos Puga, destacou que 50% das doenças infecciosas que afetam os humanos são de origem animal, como leishmaniose, esporotricose, raiva animal e a febre amarela. Ele lembrou que devido aos diversos casos de macacos mortos na cidade, abriu-se a discussão para a criação desse departamento. “Atualmente Juiz de Fora não possui um local apropriado para fazer a necropsia animal, portanto não é possível dar um prognóstico correto das doenças”.
Luciano ainda destacou que cidades que possuem mais de 200 mil habitantes dispõem de um centro de controle de zoonose. “Essa é uma forma da doença ser diagnosticada, tratada e evitada em outros animais”.
Adolfo Firmino Neto do departamento de Medicina Veterinária da UFJF ressaltou que devido à suspeita do surto da febre amarela, foi detectado uma falta de estrutura para a análise dos corpos dos animais. “Cedemos o espaço da UFJF para análise, mas é necessário todo o cuidado para realizar a necropsia”.
Médico veterinário há 49 anos, Marion Ferreira Gomes é delegado regional do Conselho de Medicina Veterinária. Ele frisou que Juiz de Fora precisa de uma política de prevenção de doenças animais. “Precisamos dar o ponta pé inicial e assim chegar a um centro de zoonoses”.
O vice-presidente José Carlos Pontelho Netto expôs que é fundamental a necropsia para a confirmação do diagnóstico correto da doença animal. “Existem patologias que somente com a necropsia pode detectar. E não podemos perder vidas”.
O subsecretário de vigilância em saúde, Rodrigo Almeida, informou que o Executivo trabalha com planejamento e cautela, e, para a criação de um departamento seria necessário recursos que ultrapassam R$ 2 milhões anuais. “Temos a disposição imediata de juntar forças e implementar, mas precisamos captar recursos para iniciarmos”, disse.
O vereador Antônio Aguiar (PMDB) expressou preocupação em relação à situação da zoonose na vida dos cidadãos. “O índices de raiva humana são baixos e cria uma falsa sensação. A cada dez segundos, morre uma pessoa com raiva humana. Por isso, a importância do diagnóstico correto”.
O vereador Rodrigo Mattos (PSDB) sugeriu a parceria ou a criação de uma rede de consórcio como a Agência de Cooperação Intermunicipal em Saúde Pé da Serra (Acispes) para apoio e tratamento de diagnóstico. A comissão de Abastecimento, Indústria, Comércio, Agropecuária e Defesa do Consumidor se comprometeu em agendar reuniões com a direção da Acispes para tratar do assunto.
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