O direito a doulas no parto foi discutido nesta quinta-feira (26) em Audiência Pública, realizada por iniciativa do vereador Jucelio Maria (PSB) em atendimento a demanda de mulheres que querem ter parto normal. O evento antecede a apreciação em plenário de projeto de lei do legislador que defende o parto humanizado, sob argumento de que melhora a qualidade dos serviços prestados e reduz custos. A matéria deve ser incluída na pauta de votação da Câmara em 2 de dezembro.
A regulamentação da atividade para que todas as gestantes tenham direito ao atendimento foi defendida em depoimentos, como da vereadora Ana do Padre Frederico (PDT). O vereador Antônio Aguiar (PMDB) esclareceu que a medida dá segurança ao trabalho, com a estruturação da equipe, formada também por médicos, gestantes e crianças.
O projeto foi considerado importante pelo vereador José Laerte (PSDB) que presenciou a discussão de todos os fundamentos, sem grandes divergências. Pelo contrário, vê consenso sobre a presença de um acompanhante, cada vez mais qualificado, durante o parto, o que ajuda a reduzir complicações. Roberto Cupolillo (Betão-PT), que se coloca como defensor do parto humanizado, não tem dúvidas de avanços.
A doula foi valorizada pelo vínculo que forma com a gestante e o apoio que presta em um momento importante da vida da mulher. Relatos de impedimento ao acompanhamento das gestantes em hospitais ou nos centros cirúrgicos, a partir do momento em que a cesariana torna-se necessária, foram feitos. Da mesma forma queixas sobre a imposição à escolha entre a presença da doula ou do marido.
A enfermeira Ana Cláudia Sierra Martins anunciou a boa receptividade por parte da Maternidade Therezinha de Jesus e informou sobre a criação de um grupo para encaminhar curso de formação de forma a possibilitar a todas as interessadas acesso ao atendimento.
A resistência de alguns hospitais foi atribuída pelo jurista Eduardo Floriano à responsabilidade que possuem com a paciente. A criação de regras com comprometimento da doula foi uma sugestão levantada. Ele ainda ponderou sobre a proibição de atividade remunerada dentro de hospital público, razão pela qual é necessário o serviço com caráter voluntário. O vereador Antônio Aguiar (PMDB) considera interessante a realização de concursos públicos para que esse impedimento seja contornado.
Depoimentos
Ariane Carvalho dos Santos, ativista da humanização do parto, teve um bebê há 30 dias no Hospital João Penido com a presença de uma doula. “Ela me deu coragem e apoio”. Cintia Antunes Ferreira, mãe de gêmeos, disse que a doula explicou cada etapa do parto, o que normalmente não é feito pelo obstetra, e lamentou que a partir do momento em que teve que recorrer ao centro cirúrgico não pode ter o acompanhamento. O marido estava presente, mas Cintia explicou que ele, assim como demais familiares, não estava em condições emocionais para apoiá-la.
Como o trabalho é realizado
As doulas usam bola de exercício físico, massageadores, equipamentos sonoros, bolsas de água quente, entre outras técnicas não farmacológicas de alívio a dor. A presença faz com que o parto evolua com maior tranquilidade, rapidez e menos complicações. “Elas suprem a demanda de emoção e afeto num momento de intensa importância e vulnerabilidade. É o resgate de uma prática existente antes da institucionalização e medicalização de assistência ao parto”, argumentou Jucelio Maria.
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