O 1º encontro do Polo Regional da Zona da Mata do Parlamento Jovem, realizado nesta quinta-feira, 14, possibilitou aos estudantes do ensino médio reunir informações e se posicionar, de forma mais consolidada, sobre o tema Segurança Pública e Direitos Humanos, desenvolvido na Edição 2015. A professora do Departamento de Ciências Sociais da UFJF, Christiane Jalles, atuou como mediadora do debate.
O assunto foi considerado fundamental para a agenda pública brasileira, segundo Vicente Riccio, professor adjunto da UFJF, doutor em sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. Segundo ele, o tema deve ser foco de ações em função dos altos índices de violência, que podem comprometer o crescimento do país.
Levantamento apresentado por Ludmila Mendonça Lopes Ribeiro, professora adjunta do Departamento de Sociologia da UFMG, pesquisadora do Centro de Estudos de Criminologia e Segurança Pública (Crisp), revelou a dimensão do problema.
As mortes violentas intencionais estão entre os principais indicadores. Em 2012, foram registradas 29 mortes por 100 mil habitantes no país, número três vezes maior que o patamar estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para definir epidemia. A debatedora ainda informou que o Brasil tem a quarta maior população prisional do planeta. Desse total, 40% são provisórios.
Na última década, a incidência de homicídios se espalhou pelo país, principalmente no Norte e Nordeste e nas cidades de pequeno e médio porte, conforme o professor Marcelo Otoni Durante, da UFV. Ele informou que apenas 10% dos homicídios chegam a julgamento; 15% das ocorrências levam a instauração de inquérito e, desse percentual, apenas 12% são concluídos. O professor chamou atenção para o fato de o comércio mundial de drogas chegar a 8%, com produção de conflitos e mortes.
Marcelo Durante entende que a abordagem do problema deve envolver toda sociedade, citou programas como o Fica Vivo, baseado em ações ostensivas, seguidas de ações sociais, além do uso da educação com perspectiva de vida.
A segurança pública como agenda prioritária foi confirmada pelo major Sávio Geraldo Corsino Pires, subcomandante do 2ª BPM, especializado em Segurança Púbica pela Fundação João Pinheiro. O oficial informou que o Brasil é o 102º país de risco para crianças e abordou os reflexos dos problemas sociais na segurança.
Sávio Pires falou em quebra de paradigmas para construção de uma cultura de paz e adiantou que, dentro desse contexto, todos os cursos preparatórios da corporação têm os direitos humanos e a Polícia comunitária como disciplinas obrigatórias.
O Encontro Polo Regional reuniu jovens de Juiz de Fora, Matias Barbosa, Leopoldina, Viçosa, Santos Dumont e Visconde do Rio Branco. Os trabalhos foram desenvolvidos no auditório do Colégio Jesuítas. O projeto é coordenado pelo Centro de Atenção ao Cidadão (CAC) da Câmara Municipal.
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