Publicada em: 08/01/2015 - 185 visualizações

Audiência Pública levanta medidas de proteção aos mananciais

Audiência Pública levanta medidas de proteção aos mananciais (08/01/2015 00:00:00)
  • Audiência Pública levanta medidas de proteção aos mananciais
 
Baixo índice pluviométrico, desmatamento, agressão às nascentes e consumo irresponsável foram apontados pelo vereador Zé Márcio (PV) como os principais fatores do desabastecimento de água em Juiz de Fora. Na Audiência Pública desta quinta-feira (08/01), o legislador reconheceu que o problema afeta toda a região Sudeste do país e propôs o levantamento de sugestões para reduzir o impacto. Ele defendeu a decretação da represa de São Pedro como de utilidade pública e sua manutenção como reserva e elaboração de plano diretor para controle dos mananciais aliado a ampla fiscalização pelo Poder Público.

Exposição sobre cada represa foi feita pelo vereador, que chamou atenção para providências que devem ser tomadas pelo poder público para reduzir a vulnerabilidade. A represa de São Pedro responde por 8% do abastecimento, a João Penido por 50% e o Ribeirão do Espírito Santo, por 40%.

A preocupação se estendeu a Chapéu D’Uvas, com capacidade para atendimento de Juiz de Fora por mais de 30 anos, desde que o uso seja ordenado. Para que isso ocorra, considera necessária a formação de consórcio intermunicipal, uma vez que o manancial está localizado nos municípios de Ewbanck da Câmara, Santos Dumont e Antônio Carlos. Caso não sejam tomadas medidas de proteção, como impedimento de construções no entorno, alerta que dentro de poucos anos o cenário pode ser o mesmo da João Penido.

Em nome da UFJF, Julio Cesar Teixeira, confirmou a combinação da estiagem com elevação de temperaturas. Em 2014, o volume de chuva foi de 60% em relação ao de anos anteriores e a temperatura média subiu de 25 para 28 graus. O professor alertou que a previsão é semelhante para este ano, o que o levou a apoiar a manutenção do rodízio e elaboração de leis de proteção às margens das represas. O diretor de Desenvolvimento da Cesama, Marcelo Amaral, acrescentou que a capacidade do manancial de Chapéu D’uvas está em 41% e do João Penido, em 34%. Segundo ele, o potencial se Chapéu D’Uvas será ampliado com o uso de duas bombas, assim como das estações de tratamento. O técnico adiantou ainda a realização de campanhas de conscientização sobre uso consciente de água pela população.

Dezoito pessoas se inscreverem e fizeram uso da palavra. Representantes de bairros como Luis Fernando, de Humaitá, reivindicaram água tratada. Ele disse que o produto levado às casas é proveniente de açude, próximo a um curral, com livre acesso ao gado. O vereador João do Joaninho (DEM) acrescentou que Monte Verde, Penido e Toledos, entre outras localidades rurais, também enfrentam o problema.

A solicitação de água de qualidade também foi feita por Silvania, presidente da Associação de Moradores de Chapéu D’Uvas, e Sidnei da Silva Junior, das Granjas Triunfo. A situação no bairro é amenizada por meio de caminhão pipa e construção de cisternas.

O presidente da Cesama, André Borges, vai dar retorno a cada local. Adiantou, entretanto, que já há projeto para financiamento, aprovado pelo BDMG, para Humaitá e que o município tenta assumir a propriedade do manancial de São Pedro. Ele admitiu que a Companhia priorizará o uso de outras represas para atender a Cidade Alta, mas assegurou que a população continuará tendo acesso a área, considerada de Preservação Permanente (APP). O vereador Antônio Aguiar (PMDB) divulgou texto de projeto de lei, de sua autoria, com caráter pedagógico que restringe uso de água tratada para lavagem de fachadas e passeios. Zé Márcio confirmou a existência de leis abrangentes. Ele próprio é autor de proposta para recuperação das matas ciliares, mas alerta que a cidade necessita de maior fiscalização em torno dos mananciais.

Roberto Cupolillo (Betão-PT) se uniu aos defensores de mais proteção às represas e alertou para problemas com o reservatório que vai tratar águas do Ribeirão do Espírito Santo. Wanderson Castelar (PT), por sua vez, chamou atenção para o descuido de seguidas gestões municipais com os mananciais da cidade, após a viabilização de Chapéu D’Uvas.
 


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