Vereadores e servidores da região se reuniram nesta sexta-feira (16/05), na Câmara Municipal de Juiz de Fora, para discutir a Política e o Legislativo. As razões da pequena participação feminina nesse campo e a trajetória da participação popular foram destacadas pelos palestrantes. O presidente da Casa, Julio Gasparette (PMDB), deu as boas vindas aos presentes e incentivou a capacitação e busca permanente de informações por parte dos trabalhadores. Florian Madruga, presidente da Associação Brasileira das Escolas do Legislativo (Abel), ressaltou a importância da divulgação do papel do parlamentar. O evento, promovido pela Escola do Legislativo de Juiz de Fora (Elejuf), teve representantes do Comitê de Cidadania com um dos presentes.
A neta de Luís Carlos Prestes, a doutora em Ciências Políticas pela UFMG, Ana Maria Prestes Rabelo, chamou atenção para a pequena participação da mulher na política. A presença das brasileiras no parlamento é uma das menores do mundo (8%), o que é agravado pela pouca visibilidade que possuem.
Ela atribuiu o problema a três fatores. A reprodução, há séculos, da estrutura do patriarcado, que faz com que a mulher acumule suas funções com atividades domésticas. A estrutura política, com o preenchimento artificial da cota de 30%, apenas para cumprimento da legislação, além da falta de valorização do papel social da mulher dentro dos próprios partidos.
Ana Maria também demonstrou suas origens, oriunda de uma família de mulheres fortes. Dona Leocádia, mãe de Luís Carlos Prestes, conseguiu promover uma campanha internacional para resgatar a neta, Anita, em um campo de concentração nazista. A alemã Olga Benário, mulher de Prestes, foi uma grande líder comunista internacional. Altamira, uma jovem militante pernambucana, designada para cuidar da segurança de Prestes após a cassação do Partido Comunista, nunca permitiu a aproximação da polícia política. Ele também se tornou sua mulher.
História
A História do Legislativo e os desafios atuais foram abordados pelo professor Antônio Barbosa. Ele usou de técnicas e sensibilidade humana para analisar a trajetória no século XX, com avanços nos direitos políticos e civis, não acompanhados, entretanto, pelos sociais.
Um retrospecto foi feito desde a República até os dias atuais. A segunda Guerra Mundial foi considerada um momento fundamental, na medida em que, ao final, incentivou o respeito à dignidade humana, e a ONU elaborou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com reflexos positivos no Brasil.
A industrialização e urbanização do país a partir da década de 50 foi outro momento marcante. Surgiram grandes empresas como a Vale do Rio Doce e a Petrobras. Dos 90 milhões de brasileiros em 1970, 39 milhões migraram do campo para a cidade. Começou aí o fortalecimento dos sindicatos.
Nos anos 60, dois projetos estavam em jogo. Uma tentativa de humanizar o capitalismo brasileiro e outro processo de modernização pela via ditatorial. Mesmo com a introdução desse sistema, Antônio Barbosa enfatiza que a política brasileira não acabou. As eleições municipais mobilizaram a população. Em 1974, com a crise do Petróleo e decadência do chamado Milagre Brasileiro, a oposição teve mais votos que a situação. O lançamento da candidatura de Ulysses Guimarães a presidente da República, mesmo com eleições indiretas, possibilitou a divulgação da mensagem oposicionista. Foi o início do fim do governo militar. Em 79, o país conquista a Anistia e cresceu a luta pelas diretas para presidente, consolidadas em 1984.