Publicada em: 28/04/2014 - 195 visualizações

Audiência Pública debate nova sede para a Escola Herval da Cruz Braz

Audiência Pública debate nova sede para a Escola Herval da Cruz Braz (28/04/2014 00:00:00)
  • Audiência Pública debate nova sede para a Escola Herval da Cruz Braz
 
    A transferência do Centro Educacional de Referência Herval da Cruz Braz, que funcionava nas dependências do SESC (Rua Chanceler Oswaldo Aranha, 113, Bairro São Mateus), para um prédio na Rua Fernando Lobo, foi o centro das discussões da Audiência Pública desta segunda-feira (28/04) na Câmara Municipal. A Comissão de Educação, integrada pelos vereadores Jucelio Maria (PSB), Ana Rossignoli (Ana do Padre Frederido-PDT), Roberto Cupolillo (Betão-PT) e Vagner de Oliveira (PR), solicitou o debate sob a alegação de que o novo espaço não é adequado ao trabalho. De acordo com os vereadores, o estabelecimento de ensino responde pelo atendimento a um público diferenciado, que necessita de assistência multidisciplinar. São alunos com defasagem de série ou idade, com mais de três repetências.
   O secretário de Educação, Weverton Vilas Boas, considerou a localização de um imóvel em condições adequadas um desafio. Ele afirma que o SESC era um espaço cedido, sem qualquer formalidade. Após o pedido de devolução, ele e sua equipe visitaram 20 imóveis. Ao final dessa maratona, representantes da Secretaria de Educação e uma equipe educacional da Escola se reuniram no anfiteatro João Carriço, quando houve a decisão pelo prédio na Rua Fernando Lobo. O secretário deixou claro que “em momento algum a Administração cogitou terminar com o projeto e que inclusive pretende replicá-lo”.
   Jucelio disse acreditar na educação de qualidade e argumentou que isso implica também no espaço adequado para o processo ensino-aprendizado. Ele enfatizou a necessidade de continuidade do projeto e da manutenção dos profissionais que o executam. “Adolescentes de vários bairros estão inscritos em um programa com objetivos metodológicos e pedagógicos bem definidos, voltados para a promoção da cidadania”.
   As autoridades se revezaram nos pronunciamentos em defesa do projeto, o que Betão considerou mais um motivo para sua continuidade. Ana do Padre Frederico estava convencida de que o secretário opinaria não só pela manutenção dos trabalhos como também pela sua ampliação. Rodrigo Mattos (PSDB), que considerou a iniciativa revolucionária, se sentiu tranquilizado pelas palavras do secretário e sugeriu o uso dos clubes de Juiz de Fora, como Olímpico, Tupinambas, Tupi, para realização de atividades complementares. A ideia que teve o apoio do presidente da Câmara, Julio Gasparette (PMDB). Antonio Aguiar (PMDB), por sua vez, propôs a criação de um Núcleo de Apoio a escolas pela redução da reprovação e fim da estigmatização do aluno.
  Geraldo Pereira da Silva, diretor da escola, trabalha desde 2010 com educadores que aderiram ao projeto voltado para estudantes que não se adaptaram a escola tradicional. Em 2013, 0 SESC, que havia cedido suas dependências para execução, as solicitou de volta. O local em que a Escola Herval da Cruz Braz funciona atualmente não é o ideal, mas foi a melhor opção encontrada durante um ano de busca. O diretor admitiu, entretanto, que os reflexos foram negativos. A escola, que esperava atender 180 alunos em 2014, está com 74, divididos em duas turmas de sexto ano e seis de oitavo, cada uma com no máximo 15 alunos.
   Estudos feitos pelo Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAED), que trabalha com análise de resultados, foram expostos por Vagner Silveira Resende. Ele citou a escola como exemplo de melhorias educacionais ao longo dos anos. Ou seja, os alunos matriculados tiveram desempenho melhor. Em 2010, 48% se encontravam em padrão baixo. No ano seguinte, esse percentual caiu para 19%, o que representa um percentual significativo. “O procedimento pedagógico surtiu efeito. Os horizontes podem ser ampliados.”
  Manifestando-se como pesquisador da UFJF, o professor Eduardo Magroni disse que o Observatório da Educação, que trabalha com indicadores, se interessou pelo projeto ao perceber que alunos que normalmente estariam fora da escola, permaneciam. Magroni reconhece a Escola Herval da Cruz como uma experiência diferente, a começar pelo acolhimento socioafetivo do aluno. “Trata-se da concepção embrionária de uma nova escola pública. O estabelecimento de ensino precisa continuar experimentando, ousou fazer diferente, repensa a escola pública.”
  Aparecida de Oliveira Pinto, coordenadora geral do Sindicato dos Professores (Sinpro), ratificou as palavras dos pesquisadores. A sindicalista ressaltou a importância de resgate da Escola Herval da Cruz quando de sua criação, período em que chegou a ter 275 alunos, e manifestou receio pelo desaparecimento do projeto.
 


©2025. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade