Quatorze kombis, oito das quais adaptadas, estão sendo usadas atualmente no transporte de apoio, um serviço municipal destinado ao atendimento de deficientes físicos e pessoas com dificuldade de locomoção. O presidente da Astransp, Fernando Goretti, informou que 260 pessoas são atendidas mensalmente, entre as aproximadamente 500 cadastradas. Cerca de 40% das marcações são fixas e provenientes de mandados judiciais e 60% são eventuais, o que corresponde a 2.970 viagens. O assunto foi tratado nesta terça-feira (06/01) em Audiência Pública convocada por solicitação da vereadora Ana Rossignoli (Ana do Padre Frederico-PDT) e do vereador João do Joaninho (DEM).
Esta é a segunda Audiência Pública que Ana do Padre Frederico solicita para tratar dos problemas enfrentados. Segundo ela, os pacientes passam por uma verdadeira peregrinação. A pessoa começa a ligar às 7h em busca de uma marcação para 48 horas mais tarde. Até as 8h não se consegue contato e a partir daí a informação é de que as vagas estão preenchidas. Ela cita o caso da dona Maria de Lourdes como exemplo. Trata-se de uma mulher tetraplégica em busca de apoio para hemodiálise. “O sistema vai mal e se vai mal precisa ser corrigido o mais urgente possível.” João do Joaninho também chegou a convocar duas audiências no Legislativo e, como um dos padrinhos de um programa social que tem o nome de seu pai, informa que há centenas de pessoas esperando na fila.
O quadro levou o presidente da Câmara, Julio Gasparette (PMDB), a designar os autores da Audiência Pública e os integrantes das Comissões de Urbanismo e Transporte e de Direitos Humanos e Cidadania para acompanhar a questão .O secretário de Saúde, José Laerte, adiantou que está agendada para este mês um encontro com o secretário de Transportes, Rodrigo Tortoriello, e o de Desenvolvimento Social, Flávio Cheker, para elaboração de um termo de referência, para licitar um transporte de qualidade, capaz de atender a demanda. Serão levados em conta estudos dos setores representativos do segmento. Enquanto isso, o subsecretário de Transporte, Mauro Branco, adiantou a realização de uma nova licitação para ampliar a frota de táxi adaptado na cidade, além da criação de um mecanismo de monitoramento pelo usuário. Atualmente há dez veículos nessas condições.
O vereador Antônio Aguiar (PMDB) chegou a propor a criação de uma Secretaria para tratar exclusivamente de questões de interesse dos Deficientes por entender que cabe a essas pessoas conduzir assuntos relacionados às suas necessidades. Chico Evangelista (PROS) sente que o município não tem conseguido acompanhar a demanda, alertando que o mesmo ocorre em relação ao TFD (Tratamento Fora do Domicílio).
O serviço de apoio foi implantado como proposta de inclusão no período em que Maria Valéria de Andrade estava à frente do Departamento da Pessoa com Deficiência. Começou com dois carros, na gestão do prefeito Custódio Mattos, e uma comissão para monitorar e acompanhar o serviço. Logo foi constatado que a demanda era sempre maior. A implantação dos ônibus adaptado ajudou, mas Valéria ressalta a necessidade de uma política integrada, englobando táxi adaptado e acessibilidade.
Um dos permissionários dos táxis adaptados, Nilton dos Santos, informou que Juiz de Fora conta com apenas dez carros, veículos com valor três vezes maior do que o carro tradicional. Além do número reduzido de carros, os condutores por vezes têm que se deslocar por longas distâncias e arcar com prejuízos para atender uma pessoa.