Os seis estudantes do ensino médio que representaram Juiz de Fora na plenária final do Parlamento Jovem de Minas tiveram uma participação marcante nos debates e elaboração do documento final encaminhado à Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa.
Os juiz-foranos se destacaram tanto na etapa preparatória, nos dias 21 e 22, no Hotel Fazenda Canto da Siriema, em Jaboticatubas, Grande BH, quanto nas atividades plenárias. Cidades Sustentáveis – desafios para as novas gerações foi o tema chave deste ano, que teve como subtemas: o uso e conservação da água, produção e consumo, gestão do espaço urbano e rural.
Os estudantes foram acompanhados por cinco professores, uma monitora de Ciências Sociais da UFJF, o sociólogo Sérgio Dutra e o advogado Sérgio Loures do Centro de Atenção ao Cidadão da Câmara, ao qual o projeto é vinculado. Além da delegação local, a cidade enviou mais 36 estudantes para assistir à plenária. Eles não tiveram direito a voto, mas assistiram toda a movimentação. Foram acompanhados por três monitores e os servidores da Câmara Vinícius Martins e Wallace Belosi.
As Escolas Cenecista Monteiro Lobato, Estadual Marechal Mascarenhas de Moraes, Estadual Padre Frederico Vienken SVD, Instituto Estadual de Educação e Colégio Santa Catarina participaram da Edição 2013.
Tema: Cidades sustentáveis - desafios para as novas gerações
SUBTEMA 1
Uso e Conservação da Água
1. Aumento da fiscalização, no Estado de Minas Gerais, relativa à manutenção das
reservas nas áreas de nascentes dos mananciais que abastecem os municípios, bem
como implantação de áreas verdes, com vistas ao aumento da permeabilidade do
solo em espaços urbanos, tanto públicos quanto privados; e obrigatoriedade de
reserva, pelas edificações, de parte de sua área total para área verde, possibilitando a
infiltração da água da chuva, como forma de prevenir enchentes e desastres.
2. Redução do IPTU para construções que tenham sistemas sustentáveis, tais como
sistema coletor de água pluvial, placas solares, coleta seletiva, com fiscalização para
garantir o cumprimento da lei.
3. Construção de aterros sanitários que atendam todos os municípios, mesmo que
utilizados em conjunto, inclusive por meio de consórcios; recuperação ambiental dos
locais onde funcionam os atuais lixões, visando a não contaminação dos lençóis
freáticos; fiscalizando e observando a legislação ambiental, incluindo a capacitação
dos funcionários.
4. Responsabilização, por parte do Estado de Minas Gerais e dos municípios, pela
restauração, manutenção e tratamento das minas d’água, rios e córregos, por meio de
parcerias e consórcios, através do programa Bolsa Verde, com trabalho de
conscientização da população realizado por estudantes em espaços públicos, sendo
que esses estudantes também plantariam árvores em regiões determinadas pelo
estado.
5. Alteração da legislação vigente, tornando a água mineral um recurso hídrico e não
um recurso mineral, sujeito a fiscalização pelo estado e por órgão competente
(política de recursos hídricos).
SUBTEMA 2
Produção e Consumo
6. Fixação de limite máximo, de acordo com normas definidas pelo Tribunal
Regional Eleitoral-MG, para a produção e a distribuição de material de campanha
eleitoral, com uso obrigatório de papel reciclado, de forma a se evitar o excesso de
poluição visual, ambiental e sonora, sujeito a multa em caso de não cumprimento. O
papel reciclado deve ser utilizado também em órgãos públicos, com exceção de
documentos que necessitem ser impressos em papel virgem.
7. Criação de projeto em parceria com fabricantes e distribuidores, disponibilizando
locais específicos em áreas urbanas e rurais, para coleta de lixo eletrônico a ser
destinado de volta aos fabricantes para que estes possam descartá-los e reciclá-los de
maneira correta.
8. Estudo das regiões do Estado de Minas Gerais para implantação e financiamento
de energia alternativa limpa (fotovoltaica) nas vias públicas, sobretudo em avenidas
e praças; incentivo ao seu uso também nos estabelecimentos privados, por meio da
redução de impostos; compromisso pelo poder público de utilizar, na implantação de
projetos urbanos, trabalhos acadêmicos que contribuam para o desenvolvimento
sustentável do município.
9. Implantação, nos municípios mineiros, do Índice de Desenvolvimento Sustentável
– IDS –, tendo como referência o critério de pontuação do Índice de
Desenvolvimento Humano – IDH –, no qual seriam analisadas as condições de
coleta seletiva e reciclagem, a poluição, o uso consciente da água e o uso de energia
renovável; criação do Prêmio “Cidade Sustentável de Minas Gerais”, a ser conferido
à cidade com o melhor programa de sustentabilidade, que receberia do governo
estadual verba para ser utilizada nas áreas de saúde, educação e transporte.
10. Oferta de cursos de qualificação em reciclagem de óleo de cozinha e posterior
criação de cooperativas que trabalhem com isso, favorecendo-as com coletas
municipais periódicas, podendo o produto ser revendido.
11. Implementação, em áreas pertencentes aos municípios, de hortas e viveiros de
mudas, cultivados com o uso de adubos orgânicos e compostagem, sendo cuidados
por pessoas que estejam cumprindo penas alternativas (prestação de serviços
comunitários) e egressos, com doação dos produtos a pessoas carentes que auxiliem
na produção e cultivo, ou direcionados para reflorestamento e recuperação de áreas
degradadas, ou para a geração de renda visando a manutenção da própria área.
12. Disponibilização para as escolas, pelo governo, de livros didáticos produzidos
com papel reciclado, devendo os livros já utilizados serem recolhidos e reutilizados
para a fabricação dos novos.
13. Redução de impostos sobre produtos sustentáveis, tendo em vista estimular a
compra e venda desses produtos, a fim de gerar menos impacto ambiental e
diminuir a extração dos recursos naturais.
SUBTEMA 3
Gestão do Espaço Urbano e Rural
14. Priorização do uso, em vias urbanas, de calçamento que permita a infiltração de
água no solo, como os calçamentos com bloquete, com vistas a diminuir a
quantidade de água lançada nos bueiros e os riscos de alagamento, sendo que essa
medida deve ser estendida aos proprietários particulares de lotes de terreno, se a
calçada for construída após a instituição da lei; e também a priorização em estradas
que contenham grande área permeável ao redor, da utilização de asfalto que
contenha pneus usados em sua composição, visto que o material é altamente
impermeabilizante.
15. Estruturação e qualificação de serviços públicos em âmbito rural, nas áreas de
saúde, educação, lazer e apoio à agricultura familiar, viabilizando o acesso e
descongestionando os órgãos públicos das áreas urbanas, oferecendo cursos técnicos
ligados a agricultura familiar, saúde, esporte, etc.
16. Manutenção de praças já existentes e criação de novas após a instalação da lei,
utilizando matérias-primas ecologicamente corretas, visando a permeabilidade do
solo, com ciclovias em cidades que sejam favoráveis à mobilidade, interligando as
principais vias de acesso, promovendo segurança aos usuários.
17. Criação, pelo governo estadual, de grupos de estudos para viabilizar a
implementação de usinas em aterros sanitários, visando transformar o gás metano em
energia elétrica.
18. Criação da Olimpíada Educação Consciente é Natureza Viva – Educonviva – na
rede estadual de ensino. Todas as escolas estaduais trabalharão o desenvolvimento
de projetos ambientais para implantar na escola, município ou estado. A primeira
etapa aconteceria entre as escolas das cidades e as campeãs disputariam uma etapa
estadual em Belo Horizonte. A escola vencedora ganharia uma bonificação do
estado e os alunos vencedores ganhariam prêmios.