O vereador Jucelio Maria (PSB) apresentou ontem (11/06) a 1ª versão do Plano Municipal de Juventude, construído coletivamente pela sociedade civil, pelos jovens e por representantes de Instituições. A construção das 62 diretrizes, que levou mais de dois meses, contou com reuniões presenciais e não presenciais.
A elaboração do Plano teve como base essencial a participação popular, e foi
inspirada no Plano Nacional de Juventude, na 2ª Conferência Nacional de
Juventude e nas experiências de outras cidades como Fortaleza. “Passamos mais de dois meses reunindo os jovens e os movimentos sociais para que eles
construíssem o plano de forma conjunta. Implementadas, essas diretrizes têm
uma imensa capacidade de transformar a perspectiva dos jovens da cidade”,
afirmou o vereador.
As 62 diretrizes são o início de um processo de consolidação das políticas
públicas para a juventude em Juiz de Fora, resultando num Plano que tem como principal objetivo ser uma política de Estado, portanto, contínua e independente de governos.
As Diretrizes
Estão contempladas no Plano Municipal de Juventude demandas variadas, sejam relacionadas a questões culturais, sejam relacionadas a desafios de mobilidade urbana e acessibilidade. Uma delas, por exemplo, indica a necessidade de ampliar as unidades dos Cursos Pré-vestibular Comunitário (CPC) para os bairros. Outra sugestão dos jovens é a utilização de iniciativas de comunicação comunitária e mídia livre como instrumentos de construção da cidadania plena. De acordo com o mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), Rafael Grohmann, “a comunicação envolve a relação, a interação com o outro. Quando falamos em cidadania, é esse outro que está em questão. Precisamos garantir que várias vozes da sociedade estejam presentes na mídia, e não somente as mesmas de sempre”.
Diversas questões que têm frequentado a mídia também se mostraram presentes no resultado final do Plano. Nesse sentido, há solicitações para a ampliação do acesso a creches, para a melhoria da acessibilidade na cidade como um todo e para a criação de Centros de Reabilitação Municipal para usuários de drogas.
A mobilidade urbana também foi tratada nas diretrizes, com demandas para
criação de uma rede de ciclovias na cidade e de pistas para a prática de Skate em praças públicas. Além disso, foi sugerido o aumento do número de horários de ônibus para as madrugadas dos fins de semana, para facilitar o acesso a eventos culturais e artísticos e a posterior volta para casa. Atualmente, a maioria das linhas encerra seu funcionamento perto da meia-noite e só volta a circular apósas 5 da manhã, forçando os jovens, algumas vezes, a não saírem de casa. Quando saem, normalmente têm a opção de pagarem taxi no retorno (quando há essa possibilidade financeira), dormirem na casa de amigos no centro ou esperarem,de forma insegura, pelo próximo horário. A jornalista Iracema Martins lembra que as mulheres sentem esse problema ainda mais intensamente: “O problema também de ficar esperando é a sensação de insegurança, principalmente no centro da cidade, ainda mais para mulheres. Então acaba que eu gasto com taxi quando volto para casa mais tarde”.
A construção do Plano
De acordo com Raphael Reis, especialista em Políticas Públicas, a construção coletiva contribuiu para dar consistência ao Plano: “Houve uma valorização da participação num ambiente de pensamentos e posicionamentos diversos sobre a juventude e seus anseios. Os resultados foram diálogos qualitativos e propostas aperfeiçoadas vindas de todos”, explicou.
Esses anseios da juventude e para a juventude estão divididos em sete eixos
temáticos orientadores: “Juventude, Educação e Cultura”; “Juventude, Esporte e Lazer”; “Juventude, Diversidade e Segurança a Vida”; “Juventude, Saúde e
Qualidade de Vida”; “Juventude e Território”; “Juventude, Mercado de Trabalho e Inclusão Social” e “Juventude e Participação”. De acordo com o vereador Jucelio “esses eixos dão conta das demandas da juventude em geral e servirão de base para políticas efetivas para a cidade”.
Próximas etapas
A primeira versão do Plano Municipal de Juventude será enviada ao Conselho Municipal de Juventude após a posse dos eleitos, pelos quais será avaliada.
Posteriormente, a peça seguirá para o Executivo, de onde, após análise, a seguirá para o Legislativo, como uma “mensagem do executivo”.