A criação de um modelo de regionalização na urgência e emergência que propicie a ocupação dos leitos disponibilizados pelos hospitais conveniados ao SUS de acordo com o nível de complexidade de cada um foi defendido pelo vereador e médico, Antônio Aguiar (PMDB) , presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal nesta sexta-feira (25/01). A medida faria com que os encaminhamentos pela Central de Vagas ocorressem conforme a gravidade de cada caso e condições adequadas de atendimento pelas unidades. A manifestação foi feita durante visitas técnicas aos hospitais HTO, Instituto Oncológico e Hospital Universitário da UFJF pela Comissão de Mediação Sanitária da Macrorregião Sudeste de Minas. Antônio Aguiar ainda é a favor da instalação de auditoria, para verificação do cumprimento das normas contratuais pelos hospitais. “Sou pela mudança efetiva dos paradigmas da saúde”, disse.
Levantamentos semelhantes estão sendo feitos em todo o Estado. Os dados possibilitarão um relatório sobre as condições de funcionamento do sistema público de atendimento e vão subsidiar um plano diretor estadual. “Estamos conhecendo melhor os serviços oferecidos pela rede SUS à sociedade e usaremos esse conhecimento para implantação de mudanças de cunho gerencial que deem maior efetividade ao sistema”, disse.
Distorções foram confirmadas pelo diretor clínico do HTO, Marco Aurélio. A instituição, que dispõe de 80 vagas para o SUS mais nove na UTI, recebeu recentemente um paciente com diagnóstico de pneumonia, que na verdade tinha tuberculose e Aids. Ou seja, a referência para seu atendimento seria o Hospital Dr. João Penido.
No Instituto Oncológico, Jorge Ramos, secretário do Conselho Municipal de Saúde, enfatizou a necessidade do internamento de pessoas com câncer não ser condicionada a realização de biópsia. Antônio Aguiar concordou com a ponderação, esclarecendo que a exigência atrasa o atendimento em aproximadamente 30 dias e causa prejuízos ao tratamento.
O diretor clínico Sérgio Cazalvara questionou internamentos feitos para realização de diagnóstico, argumentando que o Oncológico é destinado a internações . Ainda alertou para a importância da criação de um hospital de apoio para atendimento de pacientes de câncer com alta, porém dependentes de suporte clínico. Antônio Aguiar adiantou que a unidade pode ser estruturada para atender a pessoas com outras patologias crônicas que também exigem longa permanência hospitalar.
O diretor administrativo Narciso Francisco Fazinatto se encarregou de informar que a instituição alcança índice superior a 75% de cura na pediatria, um dos percentuais mais elevados do país, e que opera com os equipamentos tecnológicos mais avançados. O instituto oferece 100 leitos e mais seis na UTI para o SUS.
As visitas tiveram a participação do coordenador da Comissão de Mediação Sanitária da Macrorregião,o promotor Rodrigo Ferreira de Barros; da promotora de Defesa da Saúde de Juiz de Fora, Carolina Andrade Borges; da responsável pela Central de Vagas, Graça Carrão; do representante do Conselho Regional de Medicina, Agildo Godinho, e do coordenador da Vigilância Sanitária Estadual, Gilson Lopes Soares.
O calendário foi aberto em 18 de janeiro com visitas à Casa de Saúde Aragão Villar e à Clínica Psiquiátrica São domingos. O vereador José Mansueto Fiorilo (PDT), integrante da Comissão de Saúde da Câmara, participou dos trabalhos. As próximas visitas serão em 1º de fevereiro aos Hospitais João Felício, Ana Nery e à Asconcer.