Os vereadores Isauro Calais (PMN), Ana Rossignoli (Ana do Padre Frederico-PDT) e Vagner de Oliveira (PR), da Comissão Permanente do Idoso da Câmara, fizeram a entrega ao prefeito Bruno Siqueira (PMDB) do Diagnóstico do Idoso realizado pelo Centro de Pesquisas Sociais da UFJF por solicitação dos legisladores. O documento vai nortear políticas públicas a serem desenvolvidas pelo município para a terceira idade. O levantamento será encaminhado também para os governos estadual e federal. O prefeito reconheceu avanços alcançados na legislação em relação às últimas décadas e a importância da continuidade do trabalho da comissão em conjunto com a Administração Municipal. O secretário de Governo, José Sóter de Figueirôa, foi designado para fazer a interligação entre as duas esferas. Ele integrou a comissão, como vereador, na legislatura passada.
“Envelhecer deve ser sinônimo de dignidade, conforto, paz e felicidade”, enfatizou Isauro Calais (PMN), referindo-se ao alerta feito pela Organização Mundial de Saúde e pelo Banco Mundial quanto à inversão da pirâmide etária brasileira, com o envelhecimento acelerado da população. Em 1950, pessoas com mais de 60 anos representavam 4,5% dos brasileiros e em 2012 já somavam 11,5%. Esse processo é mais acelerado no município, onde o percentual se aproxima de 14%. Em três décadas os números vão triplicar”, afirma, prevendo um colapso social se nenhuma intervenção for feita.
Calais acredita que a experiência acumulada por Bruno no Legislativo vai contribuir para que Juiz de Fora se transforme em uma cidade melhor para o idoso. O envolvimento das autoridades e da sociedade civil organizada por meio da retomada dos trabalhos da comissão especial foi ressaltado pelo vereador, que solicitou ao prefeito a indicação dos representantes das diversas secretarias.
Em defesa do idoso, o vereador alertou quanto à necessidade de aporte do governo Federal para a formação de cuidadores, aliada a criação de uma clínica para dependentes químicos. Grande parte da violência sofrida por idosos é proveniente de usuários de drogas na família, esclareceu. Calais ainda alerta para a prevenção a acidentes dentro de casa, que respondem por 76% do total, por meio do kit composto por barra de segurança no chuveiro e no vaso sanitário, elevação de tampa do vaso sanitário, luz de vigília e maçaneta de alavanca. O custo aproximado é de R$ 600.
A viabilização de um abrigo público de longa permanência foi defendida por Ana do Padre Frederico, para garantia da qualidade de vida aos que já deram a sua contribuição para a sociedade.
O que diz a pesquisa
Duzentas e oitenta e duas pessoas foram entrevistadas. 39% ou 110 são homens e 61% ou 172, mulheres, todos da região urbana. Conforme o vereador Vagner de Oliveira, o levantamento possibilita o conhecimento da real situação do idoso na cidade e aponta as intervenções necessárias.
A pesquisa revela que o medo da violência representa um problema para 61.1%, a saúde para 58% e a solidão para 30.6%. 34.8% foram internados nos últimos 3 anos e 24.1% sofreram pelo menos uma queda nos últimos 12 meses. Foi observada ainda a feminização da população idosa, como em todo o mundo, o que é atribuído aos maiores cuidados das mulheres com a saúde, em especial com a prevenção.
Quase metade das mulheres (48%) são viúvas. Mais de 3/5 dos homens vivem uma união estável: estão casados ou morando com uma companheira. A família é apontada como a mais importante instituição em que viveram público. Em relação a domicílios, 37.8% dos idosos e 27.7% dos casais moram com filhos e outros parentes, 14.4% dos idosos e 20.1% dos casais moram sós.
Uma questão que já vinha preocupando os vereadores foi confirmada. Um elevado número de idosos está endividado. 110 ou 39% estão pagando empréstimo. 41.3%, o que representa 45, reconheceram que o orçamento familiar está comprometido. A pesquisa fez referência ao assédio das financeiras às pessoas da terceira idade.