Publicada em: 03/01/2012 - 197 visualizações

Políticas para população de rua são discutidas no Legislativo

Políticas para população de rua são discutidas no Legislativo (03/01/2012 00:00:00)
  • Políticas para população de rua são discutidas no Legislativo        A primeira audiência pública de 2012 aconteceu na tarde desta terça-feira (03/01) no plenário da Câmara Municipal. Por solicitação do vereador Dr. José Tarcísio (PTC) a situação dos...
 

Políticas para população de rua são discutidas no Legislativo

       A primeira audiência pública de 2012 aconteceu na tarde desta terça-feira (03/01) no plenário da Câmara Municipal. Por solicitação do vereador Dr. José Tarcísio (PTC) a situação dos moradores de rua foi o tema da reunião. “A maioria das pessoas que habitam nas ruas e praças de Juiz de Fora são jovens. Pretendo entender quais os motivos que ocasionam o aumento desses moradores em espaço público”, enfatizou o vereador.
       A situação da praça do bairro Santa Tereza foi a mais citada no debate. Moradores reclamam que o local foi tomado, incluindo o ponto de ônibus que se transformou em “habitação”. Quem transita pela via sofre com a falta de segurança. O diretor-presidente do Hospital Albert Sabin, Dr. Floriano Quaresma, disse que funcionários ficam inseguros em passar pelo trecho. “Convivemos diariamente com cenas chocantes”. Atos libidinosos durante o dia, uso de drogas, aumento no número de assaltos foram enfatizados no depoimento da fonoaudióloga Cilene Xavier, moradora do bairro.
       Outros pontos da cidade foram citados, incluindo praças centrais, como a do Riachuelo e Parque Halfeld. Em vários depoimentos o maior motivador desta situação alarmante é a dependência química, principalmente a do crack. Os vereadores se referiram ao número de pessoas na rua como um problema social e cobraram ações do poder público, como a implantação de centros de recuperação e investimento em profissionalização. O presidente do Legislativo, Carlos Bonifácio (PRB), enfatizou que não adianta oferecer qualquer tipo de oportunidade sem antes possibilitar um tratamento contra a dependência química.
       José Sóter de Figueirôa (PMDB) falou da falta de investimento para o trabalho de abordagem. “É necessário investir na integração de políticas públicas”. Dr. José Laerte (PSDB) enfatizou a importância de ações para garantir a inserção no mercado de trabalho com base na capacitação.
       Na mesma linha, Cristiano Fagundes, chefe do departamento da juventude, defendeu a ideia de que “o trabalho fortalece os valores morais”.
       Já o vereador Flávio Checker (PT) lembrou da importância do restaurante popular e da construção do Centro de Triagem. Mecanismos, que, segundo ele, poderão contribuir com a solução do problema.
       O chefe do departamento de proteção especial da AMAC, Oswaldo Luiz de Andrade, ressaltou a importância de mobilização permanente. “Esta é uma responsabilidade de toda população juiz-forana. Precisamos propor políticas para esta parcela da comunidade. A abordagem é realizada por meio de convencimento e acolhimento dessas pessoas. Não podemos obrigar ninguém a nos acompanhar”.
       Diante dos relatos de representantes de entidades e moradores de diversos bairros, a secretária de assistência social, Tammy Claret Monteiro, apresentou um diagnóstico sobre o número de moradores de rua e o trabalho realizado pela pasta.
       O estudo foi apresentado de forma comparativa com anos anteriores. De acordo com a pesquisa, em 2007 Juiz de Fora possuía 336 moradores de rua. Em 2011 o número subiu para 352. Para Tammy o crescimento é inexpressivo. Os jovens entre 18 e 30 anos representam a maior parcela desta população, 31,2%. Nos últimos dois anos foram abordadas 352 pessoas e pesquisadas 298. O motivo mais expressivo para a situação de rua é o conflito familiar, revelando 51,7% da parcela total. “Para modificar a situação oferecemos serviços como abordagem diária e encaminhamento para acolhimento no CREAS, Núcleo Cidadão de Rua e Casa da Cidadania”.
       Sobre o bairro Santa Tereza, a secretária municipal disse que 27 ações de abordagem foram realizadas na praça da comunidade no último ano.
       Ao finalizar a audiência pública, Dr. José Tarcísio se disse satisfeito e destacou que “direitos, deveres e cumprimento de leis são para todos os cidadãos. Defendo a ideia de que o poder público deve lançar uma campanha para acabar com a esmola. Dar esmola é uma forma de cooperar com essa situação, colaborando para que muitos continuem a viver nas ruas”.

 


©2026. Todos os direitos reservados. Política de Privacidade