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Falta de recursos públicos para dependentes químicos é debatida A ausência de políticas voltadas para o tratamento de dependentes químicos foi o tema central da audiência pública da tarde desta quarta-feira (21/09). Proposto pelo presidente do Legislativo, Carlos Bonifácio (PRB), o debate verificou a situação das casas de recuperação junto a Prefeitura de Juiz de Fora, assim como as ações elaboradas no combate ao uso de entorpecentes e o incentivo que estas instituições recebem.
“O nosso objetivo é solicitar apoio imediato do Executivo. Não podemos mais esperar levantamentos e estudos para agirmos contra este mal. É necessário criar mecanismos para prestar o tratamento adequado e com qualidade. A maioria dos dependentes se encontra na margem da sociedade e não possuem condições de financiar um tratamento adequado. Este é um problema de toda a população, pois acarreta consequências ainda mais conflitantes, como o aumento da violência. Devido ao vício, muitos furtam para adquirir a droga. Ouvir os representantes das comunidades terapêuticas é essencial, já que possuem experiência na área e desenvolvem um trabalho com poucos recursos. São pessoas que podem nos auxiliar nas medidas de combate às drogas”, explicou o presidente da Casa, Carlos Bonifácio.
Durante a reunião foram ouvidos relatos de pessoas que sofrem com a dependência química e de representantes das oito comunidades terapêuticas existentes em Juiz de Fora. Para muitos, a questão espiritual é um dos fatores que mais auxilia no tratamento.
“O número de crianças e adolescentes envolvidos com drogas está cada vez mais em ascendência. Devemos pensar no tratamento para menores, assim como disponibilizar tratamento para mulheres. Precisamos da parceria entre os poderes. Ressaltamos que a recuperação é possível. Mas, para isso precisamos de profissionais capacitados. Todos os dias somos procurados na esperança de um tratamento eficaz. O investimento é primordial e precisa ser baseado em três pilares: prevenção, repressão e tratamento”, destacou o diretor do Centro de Recuperação Resgatando Vidas, Pastor José Carlos Vieira.
Na fala dos vereadores, foi enfatizada a falta de políticas voltadas para o problema e a ausência de ajuda para as comunidades terapêuticas. Dr. José Laerte (PSDB) chamou atenção para as recaídas ao vício. “O acompanhamento após o tratamento em comunidades ou em estabelecimentos voltados para a dependência química é fundamental. É comum que muitos dependentes retornem ao vício após o período de internação”, alertou o vereador.
O Chefe do Departamento de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde, José Eduardo Amorim, anunciou a criação de 32 leitos para as comunidades conveniadas de Juiz de Fora. Doze para a Comunidade Terapêutica Nova Esperança, dez para o Centro Metodista de Assistência aos Toxicômanos e dez leitos femininos para a Associação Projeto Amor e Resgate (APAR). “Serão gastos R$ 800 por mês com cada paciente. Iremos também disponibilizar profissionais capacitados, como psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, para auxiliar no tratamento. Desde 2009 as secretarias de saúde e assistência social trabalham em parceria. Muitos ganhos já foram conquistados, mas concordo que temos um longo caminho a ser percorrido”, disse.
José Eduardo Amorim anunciou que na próxima segunda-feira (26/09) será agendada uma reunião com os representantes das comunidades terapêuticas para encaminhar e regular as internações.
O proponente da audiência, Carlos Bonifácio, encerrou o debate cobrando ações concretas para erradicar o problema. “O número de famílias desestruturadas pelo uso de drogas é cada vez maior. Este é um problema antigo que está tomando grandes proporções. Os governos Federal, Estadual e Municipal devem urgentemente tomar medidas para a recuperação dos dependentes químicos”, solicitou. O presidente do Legislativo ainda sugeriu a participação dos representantes das comunidades terapêuticas no Conselho Municipal de Políticas Integradas sobre Drogas (Compid). O documento que propõem a criação do conselho foi assinado pelo prefeito no dia 16 de agosto deste ano e se encontra em tramitação na Câmara. |