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Câmara Itinerante do Ipiranga mobiliza comunidade As reivindicações feitas pelos moradores dos bairros Ipiranga, Bela Aurora, Previdenciários e São Geraldo, na Câmara Itinerante realizada no Salão da Igreja São Pio X, foram semelhantes as das demais regiões por onde passou o projeto. Líderes comunitários citaram carências em saúde, educação, creche, transporte coletivo, entre outras, e tiveram apoio dos vereadores que as encaminharão ao Executivo.
O vereador Luiz Carlos (PTC) mostrou-se preocupado com o resultado do levantamento feito pelo Centro de Atenção ao Cidadão (CAC) da Câmara sobre os serviços públicos junto a integrantes de entidades regulamentadas ou informais.
O atendimento e infra-estrutura da UBS foram considerados regulares por 33,3% dos consultados no bairro Previdenciários, o mesmo pertencual dos que acharam o serviço ruim. No São Geraldo a porcentagem chegou a 100% pelo fato do bairro não dispor desse equipamento. A Unidade Básica de Saúde do Ipiranga não conta com o Programa Saúde da Família (PSF) e tem um quadro integrado por apenas três clínicos, quatro pediatras, um ginecologista e dois dentistas.
Outros itens também chamaram a atenção do vereador como a avaliação quanto ao transporte coletivo. Sessenta e seis por cento das consultadas feitas no Previdenciários consideraram o serviço péssimo e 33,3%, ruim.
A reivindicação de uma creche sensibilizou José Tarcísio (PTC) pelo fato de a região só dispor de uma unidade para cobrir 50 mil habitantes. O vereador espera que a informação chegue à Secretaria de Educação e informa sobre a existência de uma área no Sagrado Coração suficiente para abrigar além da creche uma UBS.
A notícia de que o Ensino de Jovens e Adultos (EJA) está sendo desativado gerou protesto do vereador Antônio Martins (Tico-Tico-PP). Ele alertou sobre a distância do Ipiranga ao Centro e está empenhado para que a decisão seja revista pelo Estado. Enquanto isso, José Sóter de Figueirôa (PMDB) cobrou da Prefeitura a reativação do Curso Comunitário Pré-Universitário (CPC), prevista para maio, assim como de projetos sociais.
A presença do terceiro setor é forte na região. A constatação levou Pastor Carlos (PRB) a pedir ao Poder Público apoio a essas iniciativas e a conclamar secretários municipais, vereadores e servidores a se unirem para superar a crise. João Evangelista de Almeida (João do Joaninho-DEM) foi outro vereador a pedir união em benefício da comunidade. José Emanuel (PSC) acredita em melhores resultados se houver uma interação maior dos secretários municipais com os vereadores. Ele observa que os representantes eleitos pela população têm contato direto com ela e condições de fazer uma ponte com o Poder Público.
O vereador José Laerte (PSDB) se uniu aos moradores nas reivindicações. Conhecedor da região, ele revela que no período de chuvas a rua Bady Geara, no Ipiranga, é inundada pelas águas da parte alta do bairro. Ao mesmo tempo, apontou a saída para o problema. O proprietário de um lote vago deu autorização para passagem da rede de águas pluviais pelo local.
Quanto à solicitação de uma UBS para o Vale Verde, Dr. José Laerte esclareceu que os recursos para a obra estão disponíveis. O início dos trabalhos estão na dependência de licença ambiental. Isso em função do empreendimento ser nas proximidades de um córrego. Casas invadiram o leito, provocando um estrangulamento, razão pela qual no período de chuvas há transbordamento.
Isauro Calais (PMDB), José Mansueto Fiorilo (PDT) e Julio Gasparette (PMDB) não compareceram à Câmara Itinerante por estarem participando de um seminário internacional sobre telefonia celular em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Flávio Cheker (PT), autor de um pedido de informação sobre Estações de Rádiobase (ERBs), reclamou da resposta da superintendente da Agenda-JF que acumula o cargo de secretária de Atividades Urbanas, Sueli Reis, por ter alegado não dispor de um cadastro das ERBs. O vereador José Laerte lembrou que a secretária assumiu há apenas cinco meses, período a partir do qual está convencido de que providenciou o levantamento para envio à Câmara. O vereador Noraldino Jr., que esteve à frente da Agenda-JF, entretanto, assegurou que o estudo foi feito na gestão passada.
Enquanto isso, Wanderson Castelar (PT) convidou os presentes para a audiência Pública de quinta-feira (21/05), às 15h, quando será discutido o policiamento comunitário. O vereador defende a presença dos policiais no dia-a-dia do bairro, com investimento maior na prevenção.
Melhorias são anunciadas
O prefeito Custódio Mattos encontrou a Prefeitura em condições financeiras mais precárias do que esperava. A queda na arrecadação do Governo Federal repercutiu junto aos municípios. Apesar disso, o vereador Rodrigo Mattos (PSDB) anunciou obras como o asfaltamento de ruas no Vale Verde e garantia de recursos para a UBS. Ele lembrou que em 30 de abril a Câmara aprovou crédito especial para a Policlínica da Zona Sul, em Santa Luzia, que deve funcionar em dois meses.
Todas as UBSs foram visitadas no início do atual governo e identificadas as necessidades. Rodrigo Mattos informou que há recursos do Governo Federal disponíveis para pequenas intervenções.
O secretário de Obras, Jefferson Rodrigues Júnior, adiantou que o prefeito Custódio Mattos trabalhou, junto ao governador Aécio Neves, recursos para obras de emergência e que o parcelamento da dívida do município junto ao INSS foi aprovado, acreditando em dias melhores.
Os moradores do Previdenciários, por sua vez, saíram da audiência pública com a informação de que a partir de 1º de junho a linha de transporte coletivo, que atende ao bairro, circulará com mais um carro.
Comunidade da Região solicita mais atenção em infra-estrutura
Problemas de infra-estrutura foram o destaque das reivindicações da Câmara Itinerante da região de Ipiranga. O primeiro líder a se pronunciar na audiência pública foi o presidente da Associação de Moradores do Vale Verde, Bruno Daibert. Ele cobrou atenção para o asfaltamento necessidades do bairro, que segundo ele, nunca chegou. Bruno encaminhou material com as necessidades do bairro relacionadas à mesa diretora dos trabalhos da Câmara Itinerante.
Paulo da Costa, morador do Previdenciários, esclareceu que a construção de dois condomínios no bairro, com cerca de duas mil pessoas, piorou o problema de oferta de ônibus. Ele informou que por lá circula apenas um ônibus, por isso situação estaria ficando insustentável. Outra reivindicação é saneamento básico, pois a área é precariamente atendida. Carmem Lucia Luna, moradora do Ipiranga, reclamou do problema da coleta do lixo. Ela afirma que o Demlurb é contatado, mas nada é feito. O que agrava o problema é o fato do caminhão de lixo passar e ainda deixar resíduos. Segundo o outro morador José Antonio Luna, há também a questão da varrição dos bairros, que não é adequada.
Foi apontado que a iluminação é um problema sério na região por Luzia Azalim, presidente do Conselho de Segurança Pública da Zona Sul. Ela afirmou que as pessoas, principalmente de baixa renda, que precisam de serviços de saúde e de se locomover bem cedo, de madrugada, são prejudicadas pela falta de segurança causada pela iluminação insuficiente. Os moradores gostariam que houvesse esse entendimento pela prefeitura.
Mônica Maria Sarmento,representante da Escola Municipal Gabriel Gonçalves da Silva,leciona há quinze anos na instituição de ensino. Ela explicou que segundo grau passou a ser oferecido e agora está sendo retirado das escolas municipais. Ela foi a porta-voz dos moradores que pedem que os vereadores intercedam junto a Secretaria de Educação para que sejam definidas escolas-pólo em cada região. Nestas escolas de referência, eles pedem que seja mantida a oferta de segundo grau. Isto foi expresso em um abaixo assinado entregue na reunião.
O representante das Obras Sociais do Ipiranga Wellington Alves, solicitou que a Câmara Municipal faça a previsão na Lei de Diretrizes Orçamentárias de equipamentos para crianças e adolescentes em situação de risco, como construção de praças de lazer.
Já o presidente da Associação dos Moradores do bairro Previdenciários, Jeferson Santana, relatou o caso da comunidade Terra Nossa, que sofre há dez anos com os problemas de água e esgoto, por falta de regularização fundiária. Segundo o líder comunitário, há várias famílias bebendo água de mina, fator preocupante.
Jéferson da Silva Januário, presidente da Casa de Cultura, destacou que há uma lacuna de ação do poder público. De acordo com ele, ongs atuantes são encontradas na região, mas o poder público está falhando, deixando as ações apenas por conta da sociedade civil. |