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Políticas para a raça negra são debatidas na Câmara Na segunda noite do 1º Fórum de Cultura Popular e Identidade Racial, promovido pela Câmara Municipal juntamente com o Conselho da Medalha do Mérito Legislativo, temas como cotas para universitários, desigualdade entre as raças, situação da mulher negra e quebra de conceitos por meio de elementos de inclusão foram destacados pelos palestrantes.
Ao abrir o debate, a mediadora Maria Elizabete de Oliveira destacou a importância de políticas educacionais e ações afirmativas para a valorização da raça negra. A temática teve como consequência a contribuição de estudiosos, o que desencadeou uma discussão com estímulo a reflexão.
O filósofo e doutor em educação, Julvan Moreira de Oliveira, apontou o motivo das posições contrárias a política em relação à destinação de cotas em universidades para os negros. Sou a favor do sistema, mas as faculdades devem oferecer disciplinas voltadas para a valorização da raça negra e da preservação de seus costumes e crenças. É preciso uma política que dá acesso a educação de qualidade e não algo que seja objeto de manipulação da cultura africana. O professor ainda falou sobre o surgimento de pensadores no século XVII, pioneiros em apresentar correntes filosóficas sobre a diversidade das raças e não deixou de citar o fato de que em outras épocas o negro era visto como a base de uma pirâmide, onde os europeus ocupavam o topo, ou seja, seriam superiores .
Marina Felizardo, mestre em educação, ressaltou o duplo preconceito de ser negra e mulher. Somos a diferença dentro da diferença, enfatizou. Baseada em dados estatísticos, a professora apresentou números que diferenciam as raças. Segundo a psicóloga, 60% das mulheres negras no Brasil recebem um salário mínimo. Na educação, ela ressaltou a diferença das pesquisas no processo de alfabetização.Enquanto 90% das mulheres brancas passam pelo processo, as negras atingem o percentual de 78%. Para Marina o elemento cultural é um fator cruel para essa mulheres que até hoje são percebidas de forma estereotipada.
A ascensão da periferia foi o assunto ministrado pelo doutor em estudos literários, Afonso Carvalho Rodrigues. Para o estudioso é possível modificar conceitos de periferia e centro e quem está nesses lugares através da arte e do exercício de individualidade na população. Os elementos de inclusão ampliam a visão das pessoas taxadas de periféricas. A rotatividade de ideias e mudanças de conceitos acontecem gradualmente. A inclusão de um mundo invisível é essencial para reflexões através da expressão.
Após o levantamento dessas questões foi iniciada um debate com o engenheiro civil, Cristiano Andrade de Oliveira, o historiador, José Tadeu da Silva, o psicólogo, Paulo Mariano e o advogado, Lauro Higino Maria da Silva. A plateia também pode colaborar com a discussão.
Para Paulo Mariano, estar na Casa do Povo, discutindo ações em prol da raça negra é uma grande conquista. Este é o primeiro fórum de muitos outros que ainda virão. Debatermos políticas raciais na Câmara Municipal é um avanço extremamente gratificante.
Encerrando as comemorações do mês da Consciência Negra, o Legislativo irá conceder nesta sexta-feira (18/11) a Medalha Nelson Silva a 14 homenageados que se notabilizaram na produção e difusão de manifestações culturais e sociais da raça negra. A solenidade terá início às 19h30, no plenário Francisco Afonso Pinheiro.
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