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Revisão da Lei de Uso do Solo é cobrada em Câmara Itinerante A necessidade de revisão da Lei do Uso do Solo ficou evidenciada na 83ª Câmara Itinerante da região do Granbery. Relato dos problemas enfrentados pelos moradores alerta para a queda da qualidade de vida, uma das principais características do bairro, em função do crescimento desordenado. A construção de grandes prédios e o adensamento populacional resultam na sobrecarga da rede de esgoto e águas pluviais e no congestionamento do trânsito. A comunidade também enfrenta problemas de segurança. Prédios abandonados por construtoras tranformaram-se em ponto para usuários de drogas.
Morador do bairro há 45 anos, Roberto Cupolillo (Betão-PT) identifica a especulação imobiliária como o principal problema do Granbery, apontando-o como causador de muitos outros. “Três casarões foram derrubados na rua Antônio Dias para abrigar edifícios. As construções são feitas em ruas estreitas, que não comportam o movimento e provocam o rompimento da rede de esgoto,” exemplificou.
O Granbery enfrenta grandes dificuldades. Betão se referiu a enchentes entre as ruas Santos Dumont e Ambrósio Braga, a falta de limpeza urbana na parte alta do bairro, as repercussões negativas das mudanças no trânsito nas ruas Antônio Carlos e Batista de Oliveira e a carência de um espaço público de lazer. Julio Gasparette (PMDB) sugeriu aos moradores uma parceria com a reitoria do Granbery para revitalizar a praça do bairro.
José Laerte (PSDB) alerta para o risco do Granbery se transformar no bairro Bom Pastor, onde mora: ou seja, um local tomado por prédios sem a infraestrutura necessária. O peessedebista observa que o local guarda parte da história de Juiz de Fora com moradias art noveau e art déco, enfatizando a importância da arquitetura naquele trecho.
Há seis anos, a Câmara Itinerante esteve na região. Flávio Cheker, que residiu na rua Sampaio, afirmou que pouca coisa mudou desde então. “Espigões brotam. Cabe ao Poder Público controlar a situação. Os moradores pagam um IPTU alto e não têm contrapartida”, argumentou.
O momento é de impedir esse avanço desordenado, alerta José Emanuel (PSC), de quem partiu a cobrança à Secretaria de Atividades Urbanas para fiscalizar prédios abandonados. Enquanto isso, Dr. Luiz Carlos (PTC) chamou a atenção principalmente para o Guaruá. O levantamento socioeconômico feito pelo Centro de Atenção ao Cidadão da Câmara revelou problemas em segurança, saúde, limpeza, cultura, esporte e lazer. O vereador falou também sobre o número insuficiente de ônibus e horários mal planejados dos coletivos que atendem à região, além de problemas com a rede de águas pluviais e adensamento populacional.
O líder do governo, Pastor Carlos (PRB), informou que as reivindicações serão levadas ao Executivo e adiantou que encontra-se em formação uma comissão para estudo do zoneamento da cidade. José Sóter de Figueirôa (PMDB) lembrou que o dispositivo data de 1986, quando o município tinha 360 mil habitantes. Desde então, o número de habitantes dobrou, exigindo uma revisão.
Sobre a captação de águas pluviais, o secretário de Obras, Jefferson Rodrigues, disse acreditar na solução do problema até o final de 2010. “O Executivo tem sido bem sucedido na busca de recursos para o município,” assinalou.
Comunidade do Granbery reclama obras de infraestrutura
Moradores do Bom Pastor, Boa Vista, Centro, Granbery e Guaruá prestigiaram a Câmara Itinerante realizada nesta quarta-feira (16/09) no auditório do Instituto Metodista Granbery. As reivindicações dos inscritos na audiência pública concentraram-se em questões de infraestrutura. A conselheira da Associação de Moradores do Granbery, Ana Maria, lamentou os problemas com a captação de águas pluviais e esgoto. Esgoto a céu aberto em trechos dos bairros foi um dos focos do desabafo da moradora. Ela enfatizou a situação da região quando chove. “As ruas ficam completamente alagadas. É um drama que se repete”, disse. Problemas causados pela falta de segurança pública, por causa de assaltos constantes, também são apontados como fatores preocupantes.
O presidente da Associação de Moradores do Granbery, José Monteiro, apresentou várias reivindicações. “Não temos hoje área de lazer para crianças, não temos quadra, não há um ponto de lazer. Em contrapartida, existe um local público que está servindo para uso de drogas e prostituição. Gostaríamos que Polícia Militar fizesse policiamento, neste e em outros pontos da região, que sofre com a violência. Aqui há muito roubo de veículos”, afirmou. Ele destacou que a região tem problemas de saneamento e necessidade de coleta de lixo.
O asfalto é outro problema. Segundo José, não resiste ao trânsito e seria preciso reforçar o asfaltamento. A necessidade de um centro de convivência foi apontada como urgente pela liderança comunitária. José explicou que muitos idosos recorrem à Regional Leste por não terem área de auxílio à família. “Uma questão grave daqui são prédios abandonados por construtoras falidas. O risco de um surto de dengue é iminente. Já reclamamos sem retorno”, complementou.
O presidente da Câmara Municipal de Juiz de Fora, Bruno Siqueira (PMDB), destacou que a Câmara Itinerante tem o papel de intermediar junto aos órgãos competentes melhorias para a cidade. E ressaltou que os vereadores esperam que os técnicos da prefeitura e representantes da polícia militar presentes possam avaliar os problemas tecnicamente e apresentar encaminhamentos satisfatórios para a população. |