Publicada em: 12/02/2009 - 260 visualizações

Demissões da Mercedes são discutidas em Audiência

Demissões da Mercedes são discutidas em Audiência (12/02/2009 00:00:00)
 

Demissões da Mercedes são discutidas em Audiência

       Foi realizada nesta quinta-feira (12/02) audiência pública para discutir as recentes demissões da Mercedes Benz por solicitação do vereador Roberto Cupolillo – Betão (PT). Ele propôs a formação de uma comissão de vereadores. Betão quer promover a discussão para readmissão desses trabalhadores, com a participação do Ministério do Trabalho e do Ministério Público. O vereador afirmou que espera desde o início de janeiro resposta para o pedido de informação feito à administração sobre o contrato que vigora entre a prefeitura e a empresa. Ele crê que a administração municipal deveria rediscutir o contrato e para isso solicitou que uma cópia chegue até a Câmara.
       Betão fez o pedido por ter sido procurado pelo Sindicato dos Metalúrgicos, que denunciou a demissão de mais de 300 trabalhadores. “O sindicato relatou que a Mercedes desrespeitou a convenção coletiva e não conferiu o aumento conquistado. Há denúncias de perseguição a dirigentes sindicais, há casos de demissão entre eles, contratos por prazos determinados considerados ilegais e pagamentos diferenciados para funcionários com mesma função. Trabalhadores que estavam de licença para tratamento de saúde também foram dispensados. E a empresa negou-se por três vezes a ir até a Subdelegacia do Trabalho para conversar”. Ele lembra que há mais de 400 ações em trânsito na Justiça de Trabalho envolvendo a Mercedes.
       Em função da empresa ter recebido ajuda do estado e da prefeitura, Betão diz é preciso entender o que está acontecendo. Nos acordo feitos para sua implantação a Mercedes deveria garantir em torno de 1.500 postos de trabalho em contrapartida pelas vantagens recebidas.
       Péricles de Lima, representante da CUT Regional Zona da Mata, informou que a entidade recebeu denúncias de que as demissões ocorreram depois de uma grande paralisação de metalúrgicos. Disse que o caso já foi levado à Organização Internacional do Trabalho (OIT) e à CUT nacional.
       
       O gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Mercedes, Sérgio Kacas, contestou os números apresentados pelo sindicato. “Metade dos trabalhadores demitidos já foram recontratados. Há 140 demitidos e não trezentos. E não tivemos informação de que dirigentes sindicais e beneficiários do INSS foram dispensados. O único critério usado para as demissões foi a qualificação do desempenho do funcionário”.
       
       O represente da Executiva Nacional da CUT, Júlio Turra, rebateu as declarações do representante da Mercedes afirmando que 140 demitidos são 10% de mão-de-obra da empresa, com 2mil empregos diretos e indiretos declarados por seu gerente. “Vamos admitir a hipótese dos 10%. Eles já configuram uma demissão coletiva. A Mercedes deveria ter aberto seu livro de contabilidade para mostrar aos trabalhadores a real necessidade econômica. Sobre isso a organização patronal foi omissa”. Júlio afirmou que a posição da CUT nacional é acionar os sindicatos congêneres na Alemanha, o deputado federal Vicentinho - empregado da empresa em São Paulo - e a Confederação Nacional dos Metalúrgicos. A Executiva, segundo ele, exige a readmissão dos demitidos, o respeito aos dirigentes sindicais e à Convenção Coletiva de Trabalho.
       
       A representante do Ministério Público do Trabalho, Fernanda Diniz, explicou que muitas empresas estão se aproveitando da crise para demitir. Relatou um caso num tribunal de São Paulo em que a Justiça decretou nulidade das demissões por não haver comprovação da necessidade econômica para o ato. Adiantou que uma audiência para tratar do assunto será realizada segunda-feira.
       

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