Publicada em: 31/07/2026 - 37 visualizações

Julho das Pretas - Ciam promove roda de conversa sobre memória e protagonismo das mulheres de terreiro

Julho das Pretas - Ciam promove roda de conversa sobre memória e protagonismo das mulheres de terreiro (31/07/2026 00:00:00)
  • Encontro integrou a programação do Julho das Pretas e debateu o protagonismo feminino, a preservação da memória e o enfrentamento ao racismo religioso
 

 

O Centro Integrado de Atendimento à Mulher (Ciam) promoveu uma roda de conversa com mulheres praticantes de religiões de matriz africana. O tema foi  "Vozes Ancestrais: o protagonismo das mulheres de terreiro". A atividade integrou a programação do Julho das Pretas e teve como objetivo promover o diálogo, valorizar as trajetórias das participantes e reconhecer o papel das mulheres na preservação dos saberes ancestrais e das práticas de cuidado transmitidas entre gerações. 


A psicóloga Gilmara Mariosa, servidora da Câmara e pesquisadora do tema, conduziu a conversa. Segundo ela, as mulheres negras que estão à frente de terreiros de umbanda são minoria e todas têm mais de 70 anos. “O terreiro é uma invenção das mulheres negras, e o que ser de terreiro impacta na vida de uma mulher? Porque é uma religião na qual elas têm espaço de poder e na qual os valores são muito diferentes, por exemplo, estimula a autonomia, a liberdade”.


Gilmara ressaltou também que os terreiros exercem um papel que vai além da dimensão religiosa. Considera que esses espaços desenvolvem trabalhos sociais durante todo o ano, fortalecem os laços comunitários, promovem educação, preservam a memória e mantêm viva a tradição da oralidade.  “Tem um provérbio africano que fala que enquanto os leões não contarem suas histórias, os caçadores sempre serão glorificados”.


A atividade fez parte da programação nacional do Julho das Pretas, mobilização voltada ao fortalecimento da ação política coletiva das mulheres negras. Neste ano, a iniciativa reúne 675 atividades em 23 estados brasileiros, organizadas por 292 instituições e coletivos, sob o tema "Seguimos em Marcha por Reparação e Bem Viver". 


Para Gilmara, ações como essa também contribuem para o enfrentamento ao racismo religioso.  “O evento faz parte do calendário e também é uma estratégia de combate ao racismo, porque a gente sabe que os terreiros são espaços muito atacados por pessoas intolerantes e que demonizam a religião, e os próprios praticantes sofrem muita discriminação, muito preconceito em seu cotidiano, então sempre que a gente abre espaço para dar visibilidade e passar a informação, a gente está promovendo o enfrentamento ao racismo”, finalizou Gilmara.


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