Publicada em: 10/06/2026 - 19 visualizações
Nos seus 20 anos, o Programa Diversidade da Câmara Municipal de Juiz de Fora se esforça para que as pautas da acessibilidade e garantia de direitos das pessoas com deficiência tenham centralidade nas políticas públicas da cidade. Por meio de palestras no Plenário da Casa – transmitidas ao vivo pela JFTV, canal 35.1 –, o atleta paralímpico Alexandre Ank, o professor e especialista em educação inclusiva Fludualdo Talis, a psicóloga e escritora Gilmara Mariosa, e o advogado Vinícius de Azevedo Martins de dedicaram a apresentar realidades do dia a dia na busca por participação igualitária e democrática.
Servidor público há 20 anos como coordenador do projeto Diversidade, Fludualdo fez uma provocação: a diversidade é boa ou ruim? Para começar, ele narrou a própria vida: nasceu com glaucoma e perdeu a visão aos 12 após uma cirurgia. “O fato gerou o encontro com barreiras, vindas de uma sociedade que não está preparada para conviver com as diferenças”. Essa trajetória começa na escola, com barreiras próprias: sem recursos de audiodescrição, pessoas que entendessem, ou estruturas físicas adequadas. Conforme dados apresentados por ele, o IBGE indica que existem no país 14,4% de pessoas com deficiência. “Um grupo considerável que paga impostos e que precisa de escolas, de emprego, e de aprender a exercitar seu direito de cidadão. [...] Há algum tempo as pessoas com deficiência eram consideradas incapazes – e responsabilizadas pelas incapacidades. Se eu não conseguia ler, o problema era meu. Com o avanço das legislações, o modelo social se altera e expõe o problema na sociedade, que não está preparada e cria barreiras”. Para ele, o caminho é procurar vencer as barreiras, cujas principais são: arquitetônica, tecnológica e atitudinal, que se reflete na falta de compreensão das barreiras e das capacidades. “No meu primeiro emprego, cheguei feliz e uma pessoa me disse: você tem condições de dar aula?” Para ele, a ideia da celebração e do trabalho cotidiano do programa é o convite à reflexão para que todos possam contribuir na construção de uma sociedade mais igualitária e capaz de elaborar políticas públicas que abracem essas questões. Servidora pública e mestre em psicologia social, Gilmara reforçou as batalhas cotidianas para rupturas das estruturas sociais que sustentam o racismo no país. Ela falou sobre si e sobre como o Diversidade atua na compreensão de como ser antirracista. Gilmara também falou sobre o que chamou de letramento racial, com muito conteúdo que, embora represente um avanço, ainda há, de acordo com ela, muito a caminhar. “Como o racismo opera?” Com esse questionamento ela abriu o debate nas diversas formas de manifestação do racismo na naturalização de atitudes discriminatórias. Ela narrou situações e piadas pelas quais passou e presenciou. “É necessário perceber as próprias atitudes racistas e os privilégios que também sustentam”. “O mimimi é a dor do outro que não dói em você”. Foi assim que o servidor e advogado Vinícius Martins abordou por outras perspectivas os sentidos e efeitos nocivos do bullying. Para ele, a ideia é trabalhar de forma mais intensa como o combate pode transformar ambientes em locais saudáveis, tais como os escolares e os de trabalho. “Pode fazer com que salas de aula rendam melhor e empresas tenham maior produtividade”. A participação direta das pessoas com deficiência nas discussões de políticas públicas e no pensar nos avanços da cidade foi o ponto central da apresentação do atleta Alexandre Ank. Com a própria experiência, ele falou sobre como as barreiras impõem as pessoas com deficiência à margem social. Ele defendeu alternativas para as necessidades específicas no dia a dia. Para ele, Juiz de Fora tem uma boa legislação em defesa dos direitos, mas muita coisa precisa ainda avançar: acessibilidade, mobilidade, calçada, rampa. “Outro ponto importante é orientar as pessoas a como acolher as pessoas com deficiência”. Na plateia, pessoas com deficiência relataram dificuldades com as barreiras urbanas, como calçadas com muitos buracos, falta de compreensão de motoristas de ônibus em relação à realidade de cidadãos com deficiência , dificuldade para agendamento de consulta pelo SUS na Associação dos Cegos, negativas de acesso no uso de carros de aplicativo e outras. O evento foi transmitido ao vivo e pode ser assistido na JFTV, canal 35.1 e pelo YouTube. Assessoria de Imprensa: 3313-4734
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