Publicada em: 02/06/2026 - 18 visualizações
A Câmara Municipal de Juiz de Fora participa da construção de propostas para prevenção de desastres e adaptação às mudanças climáticas durante o seminário Risco Ambiental e Políticas para a Resiliência: Por JF, aberto na terça-feira, 2 de junho, no anfiteatro da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O encontro reúne representantes do Poder Público, Ministério Público, instituições de ensino, entidades técnicas, setor produtivo e moradores de áreas atingidas pelas chuvas de fevereiro. A Câmara integra o conjunto de instituições envolvidas na realização do seminário, que tem como objetivo discutir soluções para tornar a cidade mais preparada para enfrentar eventos climáticos extremos.
Durante a abertura do seminário, o presidente da Câmara, Zé Márcio-Garotinho (PDT), destacou a importância da união entre diferentes setores da sociedade para enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. “As chuvas de fevereiro não representam um episódio isolado na história da cidade. Nós falhamos em não aprender com os desastres que ocorreram. A intenção é sair desse seminário com um plano de ação conjunto para que possamos construir uma cidade resiliente. A construção vem em parceria com diversos setores da cidade”. A prefeita Margarida Salomão (PT) ressaltou que a proposta do seminário é transformar o aprendizado decorrente da tragédia em ações concretas para o futuro da cidade. “É uma construção que a sociedade precisa fazer, a partir da calamidade da chuva de fevereiro. Esperamos que daqui saia um plano de ação para a cidade e uma mudança de consciência de toda a sociedade”. Serra Pelada As discussões ocorrem nesse contexto ainda marcado pelos impactos das chuvas que atingiram Juiz de Fora em fevereiro: o desastre deixou 66 mortos, mais de 8.500 pessoas desabrigadas e desalojadas e provocou mais de 130 pontos de deslizamento de terra. Meses depois, algumas regiões ainda enfrentam consequências da tragédia, como a interdição da Estrada Engenheiro Gentil Forn e a impossibilidade de retorno de moradores de áreas próximas ao Morro do Cristo, no Bairro Paineiras, devido à necessidade de obras de contenção. O seminário também abriu espaço para relatos de moradores das áreas atingidas pelas chuvas. No Paineiras, famílias ainda aguardam a realização de obras de contenção no Morro do Cristo para que possam retornar às suas residências com segurança. Representando a comunidade, Pablo Gomes destacou a relação histórica dos moradores com o local e a preocupação gerada pelos riscos de novos deslizamentos. “Eu nasci e cresci no Paineiras, o Morro do Cristo sempre me acompanhou. Para mim é sinônimo de pertencimento, é um dos cartões-postais de Juiz de Fora e hoje, com as chuvas, virou símbolo de medo de deslizamento. Temos que trabalhar a conscientização ambiental da população e mostrar para ela que o Morro do Cristo é um monumento vivo. Nessa reconstrução da cidade, é importante revitalizar o morro e repensar a reabertura das trilhas”. O promotor de Justiça dr. Alex Fernandes Santiago, da 8ª Promotoria da Comarca de Juiz de Fora, abordou o conceito de “desastres em câmera lenta” ao analisar situações de vulnerabilidade urbana agravadas por fenômenos naturais. “Desastres em câmera lenta são aqueles cujas causas naturais se aliam com vulnerabilidades sociais, ambientais e urbanísticas. Infelizmente, muitas pessoas acabam ocupando áreas de risco como encostas de morro ou áreas de preservação permanente. O Parque Burnier, por exemplo, era chamado de ‘Serra Pelada’, uma área de ocupação ilegal. Ali é um exemplo de desastre em câmera lenta, uma situação que já se anunciava há anos e que agora se repetiu de maneira muito mais intensa”. Programação A programação segue nesta quarta-feira, dia 3. Especialistas, pesquisadores, representantes de órgãos públicos e lideranças comunitárias debatem temas relacionados à gestão de riscos, planejamento urbano, adaptação climática e recuperação de áreas atingidas por desastres. Entre os convidados, estão o geólogo Agostinho Tadashi Ogura, ex-diretor do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT); e a engenheira Anna Laura Nunes, pesquisadora e consultora na área de geotecnia com trajetória na COPPE da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As contribuições apresentadas durante o seminário vão subsidiar a elaboração de propostas voltadas à construção de uma cidade mais resiliente, capaz de reduzir riscos, proteger vidas e enfrentar os desafios impostos pelas mudanças climáticas. Assessoria de Imprensa: 3313-4734
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