Publicada em: 08/04/2026 - 247 visualizações

Desafios do autismo - Debate na Câmara destaca as barreiras para a inclusão

Desafios do autismo - Debate na Câmara destaca as barreiras para a inclusão (08/04/2026 00:00:00)
  • Especialistas apontam falta de preparo nas escolas e dificuldades no acesso a tratamento
 

O mês de abril é reconhecido mundialmente como o mês de conscientização do

autismo, dedicado a ampliar o conhecimento, combater o preconceito e fortalecer a inclusão das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA). O dia 2 de abril foi escolhido pela Organização das Nações Unidas como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. 


Para marcar a data, a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência promoveu na tarde de terça-feira, 7, uma mesa redonda com profissionais de fisioterapia, psicologia, assistência social e direito, mediados pela chefe da Assessoria de Imprensa da Câmara, Renata Miranda. 


A presidente da Associação de Apoio a Pessoas com TEA (AAPTEA), Sheila Marques, falou sobre a inclusão dentro das escolas e relatou a falta de preparo dos profissionais. “O problema é que, muita das vezes, eles acham que a questão do aluno é só o socializar. Mas o socializar pode ser feito em qualquer lugar”, disse.  Ela alertou sobre a ausência de estrutura adequada. “As escolas não têm nenhum preparo. Ninguém criou um projeto para dentro das escolas de prevenção, de uma sala de regulação de ajuda a esse professor que possa executar o seu trabalho com sucesso”. 


O vereador e médico pediatra Dr. Antônio Aguiar (UNIÃO) falou que as universidades ainda não estão formando profissionais para atuar com autistas. “O pediatra é o primeiro degrau para que a criança possa ser vista e notada se tem alguma dificuldade, já é no consultório do pediatra”.


A fisioterapeuta e professora neurofuncional da Universidade Federal de Juiz de Fora Luciana  de Cássia Cardoso falou da formação dos profissionais e citou iniciativas da UFJF de equipe interdisciplinar com projetos de intervenção com terapia assistida por equinos voltados para pessoas com TEA. “A gente, como universidade, propõe estratégias e ações que possam atuar nessa área, não somente na fisioterapia, mas na área da educação e também de saúde”. 


A neuropsicopedagoga Ludmila Bittar ressaltou que a inclusão exige conhecimento especializado. “Se a gente quer fazer um trabalho de qualidade, se a gente quer incluir verdadeiramente, nós precisamos investir no saber especializado”, disse Ludmilla, frisando que já existem escolas buscando essa capacitação, mas lembrando que existe uma dificuldade na rede pública, e a maior demanda se encontra na rede. 


A assistente social Cláudia Máximo chamou atenção para a falta de visibilidade das crianças. “A escola precisa ser capacitada em relação a isso. Eu acredito que rodas como essa poderiam acontecer nas escolas para levar esse entendimento aos profissionais de educação”, disse 


Sobre os custos de tratamento das pessoas com TEA, as advogadas Nathalia Raposo e Joanna Lustosa apontaram negativas e abusos dos planos de saúde.  “Os planos de saúde estão impedindo de fazer as terapias, como também com a coparticipação, cobrando preços absurdos que impedem os pais de ficarem arcando com os custos”. Ela explicou que muitos casos precisam ser judicializados.


Em relação ao Serviço Único de Saúde, Dr. Antônio afirmou que atualmente o atendimento é insuficiente e citou o fechamento recente de uma equipe multidisciplinar que atendia pacientes com doenças raras,  síndrome de Down e com autismo. Ele informou ainda que trabalha em um projeto com financiamento privado, mas voltado ao atendimento público.


A diretora da clínica Singular, Camila Basílio Ramos, falou sobre a importância da aproximação com as famílias. “Precisamos buscar entender o que essas famílias passam, saber qual é a dinâmica familiar e qual é a rede de apoio”. 


Ana Darc, da clínica Passo a Passo, reforçou a necessidade de olhar individualizado  para essa criança e adolescente. “Precisamos saber do que a criança gosta, para saber cuidar dessa criança”. Ela também destacou a importância do ensino contínuo. “Precisamos trazer para eles o ensino com muita paciência e de forma repetitiva”.

 


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