Os 173 anos da Câmara Municipal de Juiz de Fora, neste dia 7 de abril, dão a oportunidade de relembrarmos a história da cidade e os esforços que o Poder Legislativo Municipal empreende nestes quase dois séculos para construir um espaço de convivência pacífica, democrática e pautada no diálogo. Em 2026, a Câmara Municipal recebeu mais um desafio: participar da reconstrução de histórias, bairros e vidas atingidas pelas chuvas de fevereiro. E os trabalhos estão sendo feitos por meio de projetos de lei que vão contribuir para esse processo.
A cidade que um dia foi a Manchester Mineira agora é um polo de serviços, comércio e educação. Nas últimas décadas, a Câmara Municipal desempenhou papel crucial para tornar a cidade atrativa a novos empreendimentos.
Da Siderúrgica Mendes Júnior a ArcelorMittal
Em agosto de 1971, começou o caminho para a instalação da Siderúrgica Mendes Júnior na cidade. As atas digitalizadas pelo Arquivo da Câmara Municipal registram as discussões sobre o financiamento para obras do Distrito Industrial e da Siderúrgica. A preocupação dos vereadores era a geração de emprego e renda para a população.
Três anos depois, uma data histórica foi selada pelos vereadores da época: em 20 de agosto de 1973, foi autorizada pelo Governo do Estado de Minas Gerais a criação da Companhia Siderúrgica Mendes Júnior.
O contrato pelo Governo Militar à época saiu alguns anos mais tarde, em 26 de outubro de 1976. Com a presença do então presidente da República Ernesto Geisel, houve a assinatura pública dos contratos da Siderúrgica Mendes Júnior, Paraibuna Metais e P.N.O.S (barragem Chapéu D’Uvas). A cerimônia ocorreu no Parque Halfeld.
Em 11 de novembro de 1976, o vereador Rubens Vasconcellos renunciou ao cargo de vereador para tomar posse como um dos diretores da Siderúrgica Mendes Júnior. Poucos meses depois, em 19 de abril de 1977, a Câmara Municipal comemorou a abertura da concorrência pública para as obras de terraplanagem da Siderúrgica. Até que, em 1985, foi inaugurada e se tornou destaque tecnológico no setor.
Ao longo destes mais de 50 anos, a siderúrgica se tornou ArcelorMittal.
Cemig
No final da década de 1970, a cidade estava com sérios problemas de fornecimento de energia com a antiga Cia Mineira de Eletricidade. A situação levou a Câmara Municipal a se debruçar sobre a resolução da questão sem afetar a vida dos cidadãos. Em outubro de 1978, havia duas empresas dispostas a incorporar a CME: Cemig e a Força e Luz Cataguases e Leopoldina.
Em 26 de outubro de 1978, o então presidente da Câmara, Jair do Nascimento (MDB), apresentou representação direcionada ao presidente da Cemig e ao governador de Minas Gerais: “Opinamos, em nome do povo de Juiz de Fora, pela encampação a qualquer título pela CEMIG - reivindicando que seja também instituído um Museu de Energia Elétrica em Juiz de Fora, para caracterizar o pioneirismo de sua gente nesse setor, uma vez que a primeira usina Hidro Elétrica da América Latina foi instalada nesse setor pelo saudoso Dr. Bernardo Mascarenhas, fundador e 1° presidente da CME”.
Em maio de 1980, a Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) incorporou a CME, passando a ser a responsável pelo parque de geração e distribuição de energia na região. O antigo prédio da CME, situado no centro de Juiz de Fora, é um bem tombado e abriga atualmente um setor da Cemig, além de estar próximo ao Museu Marmelos Zero.
Mercedes Benz
Em outubro de 1995, a Câmara Municipal ansiava em unanimidade pela chegada da montadora alemã Mercedes-Benz. A vinda de uma empresa do porte da Mercedes representava não apenas a geração de empregos e o aquecimento da economia, mas também um importante ganho de prestígio para Juiz de Fora no cenário nacional. A cidade se apresentava como um local "receptivo, um povo honrado, trabalhador e infra-estrutura básica e fundamental para implementação de uma indústria", pronta para acolher o "braço empreendedor" da gigante automobilística, de acordo com as atas da Câmara.
A empresa alemã buscava uma cidade de aproximadamente 500 mil habitantes que não apresentasse as características negativas encontradas nos grandes centros urbanos. Apenas Juiz de Fora e Campinas preenchiam os requisitos para receber no Brasil uma filial da montadora, e os incentivos municipais e estaduais foram o diferencial para a vinda da Mercedes-Benz para a cidade.
Entre os incentivos debatidos pela Câmara Municipal, estavam a doação do terreno e das obras de infraestrutura e a isenção de impostos municipais como IPTU, ITBI E ISSQN por um prazo de dez anos. Conforme texto publicado pelo Jornal da Unicamp em junho de 2002, os incentivos fiscais e os retornos econômicosconcedidos por 22 anos somaram R$ 690,7 milhões e acarretaram investimentos da ordem de R$ 695 milhões. Além disso, houve a geração de 1.500 empregos diretos, de acordo com a Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
Porém, no começo dos anos 2000 o que se via era um cenário bem diferente do previsto. Apesar das inovações produtivas e organizacionais, em 2003, a capacidade ociosa da empresa estava em mais de 80%, devido à suspensão da produção do Classe C e do anúncio do fim da produção do Classe A em setembro de 2005.
Enquanto as empresas da cidade seguem seus fluxos de produção e serviços, o trabalho da Câmara Municipal não para.
Os parlamentares trabalham para garantir empregabilidade e condições reais para que a cidade siga como polo de investimentos. Um exemplo são as discussões em curso no Plenário e em Audiências Públicas para uma melhor e justa adequação tributária, que seja capaz de criar um ambiente favorável para atrair capital nacional e estrangeiro.
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