Publicada em: 24/02/2022 - 458 visualizações
As discussões centraram-se em garantir direitos: a obrigatoriedade de intérpretes de Libras no Fórum, apoio ao paradesporto, empregabilidade, punição a descumprimentos de lei, e treinamento de cães-guia estão entre as ações citadas
Os membros da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência realizaram, nesta quarta-feira, 23, a primeira reunião de 2022. O presidente da comissão, vereador Maurício Delgado (DEM), destacou a luta constante para que todas as propostas de lei e ações do município que impactem na vida das pessoas com deficiência (PcD) passem por discussões diretas com os próprios beneficiados. Na próxima reunião, ainda sem data, será convidado a participar do encontro o secretário de Saúde, Ivan Chebli. A expectativa é de que a presença dele possa dar concretude a reclamações e sugestões contínuas quanto a pontos práticos das leis existentes e à ineficiência na aplicação dos investimentos, especialmente nos esportes paraolímpicos. Um dos assuntos já iniciados com o secretário é o diagnóstico das pessoas com autismo. “Há as dificuldades de famílias conseguirem profissionais que atestem o transtorno, o que não é oferecido pelo SUS. Eu já estive em contato com o novo secretário e a vontade dele de querer fazer já é um avanço", anunciou o parlamentar. Participam da comissão também os vereadores membros da comissão Tiago Bonecão (CIDADANIA), Marlon Siqueira (PP) e Julinho Rossignoli (PATRIOTA - suplente).
Maurício Delgado reforçou ainda a busca por amparo político no âmbito estadual para melhores impactos no município. "Uma das lutas em que estamos envolvidos é a de que seja obrigatório um intérprete de Libras nas ações no Fórum em que pessoas com surdez tenham que participar. As pessoas já sofrem com o abuso criminoso e depois há outros abusos pelas dificuldades em denunciar. Uma mulher com surdez que seja abusada, como ela vai explicar o que aconteceu com ela?", indagou Maurício.
Na primeira reunião como membro da comissão, Marlon Siqueira enumerou algumas das leis aprovadas voltadas para a garantia dos direitos da pessoa com deficiência e o empenho da comissão e da legislatura para inclusão e a conquista de uma sociedade inclusiva. Ele sugeriu ações de fiscalização em virtude de algumas denúncias recebidas. "Fica a ideia de fazermos uma blitz para verificar denúncias de que algumas escolas não estão aceitando estudantes com autismo. Precisamos fiscalizar as instituições privadas e públicas de ensino para verificar os resguardo dos direitos das crianças com deficiência”.
Paradesporto
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Maria Valéria de Andrade, apontou que existem “vários problemas de investimentos que não são pontuais, mas gerais em Juiz de Fora - o que não é condizente com o tamanho e a capacidade de Juiz de Fora". Marcelina do Nascimento, participante da comissão, tem sequela de paralisia cerebral. Ela é paratleta de jiu-jitsu e está em 1º e 4º lugares em rankings na modalidade em que disputa. Marcelina narrou as dificuldades de sistemas tecnológicos criados que se transformam em mecanismos de segregação. “São medidas feitas em princípio para ajudar. E esquecem que muitas pessoas não têm acesso à tecnologia por questão educacional ou econômica. Antes, sem esse mecanismo, eu encontrava pessoas, eu mostrava do que sou capaz. Muitas empresas querem um cego que enxergue e um surdo que escute. Precisamos de punição que doa não só na consciência, mas no bolso e de modo bem punitivo", afirmou. Ela pediu também a inclusão do jiu-jitsu de paratletas nas leis que garantem os apoios financeiros. “Que em outros locais do país já fazem jus ao recebimento”, finalizou Marcelina.
Emprego e renda
Recém-empregada e grata pelo trabalho na comissão, a assistente social Luciene Martins Rodrigues tem deficiência visual. Ela contou as dificuldades para conseguir um emprego e a atuação dos membros da comissão para a realização do que era há muito tempo um sonho “que para as outras pessoas acontece naturalmente”. Ela enfatizou a necessidade de empenho para que haja em Juiz de Fora o treinamento de cães-guias para pessoas com deficiência visual. "Algumas pessoas só pensam em bengala. Mas o cão-guia orienta e dá segurança. E no Brasil são apenas duas entidades especializadas e algumas pessoas passam 15 anos na fila. Nós temos dois adestradores em Juiz de Fora e um no Rio de Janeiro e já começamos uma articulação para, quem sabe, montarmos o serviço aqui. E podíamos não só dar suporte a Juiz de Fora, mas também a outras cidades da região e sermos referência", afirmou.
Participaram da reunião também os vereadores André Luiz (REPUBLICANOS) e Bejani Júnior (PODE).
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