Publicada em: 23/08/2021 - 1094 visualizações
Imbróglio envolve o destombamento do 4º Depósito de Suprimentos, localizado na Praça Antônio Carlos; presidente do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac) disse que o órgão já tem conversado com os representantes do Exército e que o Poder Executivo está disposto a chegar a um acordo entre conservação de patrimônio e crescimento econômico
A Câmara Municipal de Juiz de Fora (CMJF) promoveu, na tarde desta segunda-feira, 23, uma Audiência Pública para discutir a transferência do 17º Batalhão Logístico Leve (B-Log) de Montanha e do 4º Depósito de Suprimentos (D-Sup) de Juiz de Fora para Pouso Alegre, Sul do estado. O objetivo foi promover uma conversa entre Prefeitura de Juiz de Fora (PJF), Exército Brasileiro e sociedade civil.
O presidente da CMJF, vereador Juraci Scheffer (PT), destacou que a Audiência Pública foi requerida em caráter de urgência. “Abrimos uma agenda excepcional, pois sabemos da importância dos quartéis para a economia da cidade, assim como o prédio que abriga a 4ª D-Sup é importante para o patrimônio da cidade”. A audiência foi proposta pelos vereadores João Wagner Antoniol (PSC), Sargento Mello Casal (PTB), Zé Márcio Garotinho (PV) e Vagner de Oliveira (PSB).
O vereador João Wagner Antoniol (PSC) destacou que se essas duas unidades saírem de Juiz de Fora, a cidade perderá econômica e socialmente. “Esses dois quartéis empregam cerca de mil militares. Perder estas unidades é também perder emprego e renda, arrecadação com ICMS, investimentos, formação de mão de obra especializada e também de capital social”, disse.
O vereador Sargento Mello Casal (PTB) enfatizou que os quartéis formam profissionais. “Muitos jovens estão inseridos no mercado de trabalho graças ao Exército Brasileiro”. O parlamentar Vagner de Oliveira (PSB) lembrou que a CMJF já havia apresentado uma Representação questionando essa mudança dos quartéis. "Já perdemos na indústria e em tantos outros setores, e agora também no militar? Precisamos defender a nossa cidade”, afirmou.
Para explicar a atual situação do 4º D-Sup, o Comandante da unidade, o coronel Luiz Eduardo Soares Thiago, explicou que o prédio que abriga a unidade é do século XIX, onde funcionava a Alfândega Seca da cidade, e hoje encontra-se tombado. Porém, o espaço não atende mais à demanda do 4º D-Sup. “A nossa unidade atende praticamente todo o estado. No momento estamos com saturação de capacidade de estocagem”, disse.
O comandante ainda informou que só será possível a construção de um novo complexo logístico com a venda do atual. “Precisamos de um investimento de 169 milhões de reais para o novo complexo logístico, mas precisamos de uma manobra patrimonial da sede atual, ou seja, que parte dela seja destombada”. Dessa forma, será possível vender para a iniciativa privada parte do terreno e investir no terreno ao lado do Colégio Militar de Juiz de Fora para a construção da nova sede.
O coronel Thiago completou a sua fala destacando que o novo complexo logístico traria mais investimentos para a cidade, aumentaria a possibilidade de apoio para outras instituições do Exército, além de beneficiar a cidade valorizando a Zona Norte e desafogando o trânsito no centro da cidade.
Já o coronel Valente, assessor patrimonial da 4ª Brigada de Infantaria Leve de Montanha, completou afirmando que o Exército Brasileiro deseja que o perímetro tombado do prédio do 4º D-Sup seja retificado e assim “o Exército terá como avaliar o terreno e poderá projetar o novo complexo logístico”. Valente completou afirmando que “a prioridade é a permanência da 4ª D-Sup e do 17º B-Log em Juiz de Fora”.
Representando a PJF, a diretora da Funalfa e presidente do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (Comppac), Giane Elisa Sales de Almeida, disse que o órgão já tem conversado com os representantes do Exército e que o Poder Executivo está disposto a chegar a um acordo entre conservação de patrimônio e crescimento econômico. O vice-presidente do Comppac, professor Marcos Olender, sugeriu que seja convocada uma Reunião Extraordinária na semana que vem para que a pauta seja discutida com celeridade. “É possível encontrar uma solução que seja boa para todos, atendendo não só à manutenção do patrimônio da cidade, mas também dignificando ainda mais o Exército em Juiz de Fora”, completou Marcos.
O vereador Zé Márcio Garotinho completou as discussões lembrando que não é simples tombar um bem público e que, para a retirada do 4º D-Sub do prédio atual, é preciso passar por uma revisão do perímetro tombado. “A gente não pode perder os dois quartéis. Temos que preservar o que é histórico e tem valor cultural na nossa cidade. Sentar à mesa e conciliar uma solução em que a gente consiga os nossos dois objetivos”, disse.
Participaram da audiência os vereadores Dr. Antônio Aguiar (DEM), Laiz Perrut (PT), Kátia Franco Protetora (PSC), André Luiz (REPUBLICANOS), Bejani Júnior (PODE), Tiago Bonecão (CIDADANIA), Mauricio Delgado (DEM), Marlon Siqueira (PP) e Pardal (PSL).
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