Publicada em: 12/05/2021 - 260 visualizações
Com foco também no público idoso, estatisticamente mais afetado pela forma grave da doença, o médico Guilherme Côrtes abordou temas fundamentais para a saúde e gestão públicas e o controle de novas curvas endêmicas
Neste terceiro dia de eventos promovidos como parte da Semana Municipal da Pessoa Idosa, pela Câmara Municipal de Juiz de Fora (CMJF), o infectologista Guilherme Côrtes ministrou uma palestra e respondeu perguntas sobre doenças infecciosas, COVID-19 e vacinação, na última terça-feira, 11. O médico reforçou durante o encontro o fato de não existirem medicamentos cientificamente comprovados capazes de curar a COVID-19, ressaltou a ineficácia de imunidade de rebanho como controle da doença, apontou como faltou diálogo para entender que o vírus era o único inimigo e criticou a falta de vacinação de professores como prioridade antes da defesa do retorno às aulas. O vereador e membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, Tiago Bonecão (CIDADANIA), conduziu o evento com a presença do vereador Pardal (PSL). Também fazem parte da comissão os vereadores Julinho Rossignoli (PATRIOTA), presidente; André Luiz (REPUBLICANOS); e Nilton Militão (PSD).
A vulnerabilidade de pessoas idosas não está apenas no risco maior de adoecimento com gravidade pela COVID-19, mas também na acentuação, no âmbito social, com os impactos causados pela solidão. O infectologista acentuou que os riscos de acometimento por doenças pré-existentes foram agudizados pelo isolamento devido à ausência de acompanhamento clínico de outras doenças. Outro ponto de vulnerabilidade apontado foi a necessidade de adaptabilidade de algumas pessoas às novas tecnologias. “Hoje o desafio é instrumentalizar práticas como o internet banking e as consultas remotas”.
Com questionamentos sobre distanciamento social, vacinação e lockdown, o médico foi categórico em destacar que o maior problema é a transmissão viral. “O cenário em que vivemos é resultado da nossa não adequação do distanciamento social”. O infectologista exemplificou as intervenções de Portugal como medidas adequadas e realizadas de maneira planejada. “Isso não aconteceu no nosso país, no nosso estado nem na nossa cidade. Nós aceitamos o risco social de ter COVID-19, um em mais de tantos outros riscos sociais que já aceitamos no nosso país, como tomar um tiro e bater o carro. E não acho que seja mais possível a gente implementar as medidas que deveríamos ter adotado”. As vacinas surgem então, para ele, como a grande ferramenta: conquistar uma elevada cobertura vacinal pode garantir a imunização coletiva da sociedade. “A prioridade de vacinação dos idosos levou à diminuição de internação de um grupo mais vulnerável". Guilherme enfatizou ainda a inexistência de medicamentos com comprovação científica com efeitos contra o vírus.
Como fica o futuro?
A previsão de que novas curvas endêmicas da COVID-19 sejam constantes, para o médico, é uma realidade que deve ser a base para preparar a cidade com medidas restritivas possíveis e associadas a medidas de vigilância epidemiológicas, que é a capacidade de acompanhar cada caso concreto. “A vigilância checa se cada paciente está em casa isolado e não transmitindo o vírus a outras pessoas. Além disso, tem o papel de detectar pessoas que tiveram contato com outras contaminadas para que também estejam isoladas”. Outra limitação que impede as curvas endêmicas é a incapacidade de fazer a vigilância genômica, que é detectar as variantes do vírus para evitar que se espalhem. “Sem essas estratégias não tem como controlar a transmissão viral. A gente diminui as ondas virais, mas sem impedir que não haja novos adoecimentos. O foco de Portugal era impedir a transmissão viral e não apenas garantir leitos. Essa é a diferença”, enfatizou.
Questionado sobre as diferenças entre brasileiro e portugueses, Guilherme reforçou o papel da gestão pública no Brasil pela dificuldade de colocar os aspectos técnico e do capital político na balança decisória. "Às vezes essa balança é descompassada. E o cidadão não consegue vislumbrar o quanto isso afeta a vida de todos. E essa pode ser uma diferença crucial para o que aconteceu no Brasil. Há países ricos, pobres, democráticos e ditatoriais que conseguiram controlar a transmissão do vírus. Todas as técnicas são conhecidas antes de novembro de 2019 e na China foi realizada de forma draconiana com drone na rua. Mas tecnicamente eram as medidas que deveriam ser feitas. Em países democráticos basta ter coordenação, como as implementadas pela ministra da Zova Zelândia. Mas no Brasil estamos há um ano e meio discutindo se a técnica que funciona funciona”.
Confira a programação completa da Semana Municipal da Pessoa Idosa 2021:
Dia 12, quarta-feira: Palestra dr. Antônio Godinho (médico geriatra)
Dia 13, quinta-feira: Vidas Idosas Importam - bate-papo com especialista
Dia 14, sexta-feira - Momento interreligioso (encerramento).
A programação prevista pode sofrer alterações. Todos os eventos serão on-line e transmitidos pela JFTV Câmara, canal 35.1
Mais informações: 3313-4734/ 4941 - Assessoria de Imprensa
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