Publicada em: 15/04/2021 - 298 visualizações
Pedidos para protocolos sanitários mais rígidos, aumento no valor do Auxílio Emergencial, quebra de patentes de vacinas, agilidade na vacinação e ineficiência do governo federal foram alguns dos assuntos em pauta
A Câmara Municipal de Juiz de Fora (CMJF) recebeu nesta quarta-feira, 14, trabalhadores ligados a diversas entidades sindicais que apresentaram os principais problemas sanitários e econômicos decorrentes da pandemia. O presidente da Casa, vereador Juraci Scheffer (PT), reforçou que a CMJF está em diversas frentes de atuação discutindo os problemas e buscando alternativas com diversos setores do município e da região. A proposta dos encontros é elaborar um plano de prevenção contra a COVID-19. Juraci lembrou ainda sobre a importância da participação dos trabalhadores nos diálogos para a construção do Plano Estratégico do poder Legislativo, que propõe “construir uma cidade mais integrada e justa”. A promoção de uma campanha solidária discutida com os representantes sindicais durante a reunião será deliberada com os vereadores na primeira Reunião Ordinária de abril, dia 16.
Os vereadores João Wagner Antoniol (PSC), Cida Oliveira (PT), Maurício Delgado (DEM), Tallia Sobral (PSOL) e Laiz Perrut (PT) também participaram do encontro. A necessidade do Auxílio Emergencial em um valor capaz de garantir o básico às famílias foi uma defesa constante na reunião, como corroborado também pelas vereadoras Cida Oliveira, Tallia Sobral e Laiz Perrut. As questões econômicas equalizadas às da saúde e ações humanitárias dentro e fora da Câmara com a união da sociedade como caminho para sair da crise foram um dos argumentos de Antoniol, também reverberado pela vereadora Tallia Sobral, que acrescentou que lockdown tem de vir acompanhado de auxílio. “Temos dificuldades em convencer a população sobre a gravidade da pandemia. Há uma parcela sendo convencida do contrário; de que a pandemia não mata tanto. Temos muitas dificuldades: ausência de auxílio, convencimento para medidas mais restritivas, vacinas e testagem. Todas são obstáculos que impedem de frear a contaminação e as mortes”, concluiu. Em consonância com o tema, Laiz Perrut resumiu “ficamos enxugando gelo no município, enquanto as ações mais contundentes deveriam ser feitas pelo governo federal”.
Em fala que criticou o lugar comum em que se debate a educação, a professora e sindicalista Maria Leopoldina esclareceu que há diferenças cruciais entre serviço essencial e direito conquistado. A professora se referia às discussões no Congresso Nacional, assim como na Câmara de Juiz de Fora, que revelam confusões, que ela chamou de hipócritas, para o papel social da educação. “Educação não é um serviço essencial, mas um direito essencial. Educação é um direito garantido pela Constituição, uma educação pública, laica e gratuita. Mas há a necessidade de caminhar também para a vacinação e protocolo que garanta a essencialidade da vida”. Ela reforçou as condições de trabalho dos profissionais da educação e professores tanto na rede pública quanto na rede privada e, em tom de desabafo, lembrou aos empresários: “trabalhador morto não compra, não consome”. A questão da morte de trabalhadores e o luto permanente foram levantados pelo sindicalista Vagner Evangelista, do Sindicato dos Rodoviários. “Já são 13 colegas de trabalho mortos, além de muitos outros internados”. Antoniol falou ainda dos riscos de contaminação dos familiares dos trabalhadores do transporte.
A precariedade nos protocolos sanitários de trabalhadores de agências bancárias, dos transportes e de órgãos públicos municipais foi apontada pelos representantes sindicais. Robson Marques, do Sindicato dos Bancários da Zona da Mata e do Sul de Minas (Sintraf/JF), ponderou que os bancos e os coletivos são áreas de grande contaminação e pediu que haja organização pelo poder público “com cadeiras, tendas e marcações no chão para evitar as aglomerações e garantir o isolamento”. A mesma preocupação foi defendida por Taiomara Neto de Paula, também do Sintraf. Ela sugeriu que a vigilância sanitária faça fiscalização constante nos locais de trabalho. No mesmo caminho, Cosme Nogueira da Central de Sindicatos Brasileiros (CSB) salientou sobre a necessidade de uma programação das atividades do Demlurb e da Empav de maneira que não coloquem todos os funcionários em atividade ao mesmo tempo "para que não sejam empurrados para a morte”. Segundo Cosme, nem todos os serviços prestados pelo Demlurb e pela Empav são essenciais. “Tem de haver um planejamento com escalas de trabalho que evite as aglomerações comuns nestes setores”.
A gestão do governo federal na condução da pandemia como um quadro pernicioso para os trabalhadores e o país foi destacada pelos representantes sindicais. A sindicalista Vitória Mello, representantes da Central Sindical Popular Conlutas (CSP Conlutas), propôs a organização de uma greve sanitária nacional que impulsione as discussões para a importância da quebra de patentes das vacinas que, segundo ela, é a forma de “aumentar as chances de sobrevivência sem depender das grandes empresas e do grande capital”. Assim como Vitória, José Luiz de Oliveira, do Central dos Trabalhadores do Brasil, destacou as ações desastrosas para a compra de insumos e vacinas, além do prejuízo nas relações internacionais. Oliveira propôs ainda às outras entidades que encontros como os de hoje, promovido pela CMJF, sejam estendidos a outras câmaras da Zona da Mata.
O deputado estadual Betão (PT) anunciou que na próxima segunda-feira, 19, às 10h, haverá uma Audiência Pública virtual para debater o Programa Recomeça Minas, elaborado pelo estado de Minas Gerais. A Audiência, promovida pela Assembleia Legislativa de MG, contará com representantes de diversas categorias econômicas da Zona da Mata, inclusive com a presença de Scheffer, como presidente do poder Legislativo de Juiz de Fora. Betão ressaltou que “‘o Brasil vive o pior quadro do mundo que agrava ainda mais a situação do capital. Desde o golpe de 2016 há retirada constante de direitos dos trabalhadores, 'passando a boiada' com a reforma trabalhista, reforma previdenciária. Há ainda muito trabalho para reconstruir”. Betão anunciou ainda o envio de R$ 1,5 milhão de emendas parlamentares para a saúde da cidade no mês de abril.
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