Publicada em: 23/03/2021 - 433 visualizações

Vereadores se reúnem com Comitê Científico sobre o panorama da pandemia e as ações de combate à COVID-19 em JF

Vereadores se reúnem com Comitê Científico sobre o panorama da pandemia e as ações de combate à COVID-19 em JF (23/03/2021 00:00:00)
  • Empenhados em encontrar soluções em consonância com as pesquisas científicas para controlar a crise sanitária que assola todo o país, os vereadores se reuniram na noite da última segunda-feira, 22, com a prefeita Margarida Salomão (PT) e o Comitê Científico do Gabinete de Crise, da...
 

Os vereadores questionaram sobre a condições de oferta de leitos, de medicamentos e de insumos, além da situação econômica da cidade; segundo o Executivo, o protocolo para retorno das atividades escolares já está pronto. Plano de rearranjo econômico será apresentado em breve

Empenhados em encontrar soluções em consonância com as pesquisas científicas para controlar a crise sanitária que assola todo o país, os vereadores se reuniram na noite da última segunda-feira, 22, com a prefeita Margarida Salomão (PT) e o Comitê Científico do Gabinete de Crise, da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF). Os membros do comitê apresentaram dados sobre a situação epidemiológica e sanitária nos contextos nacional e municipal e responderam às dúvidas dos vereadores. O encontro foi agendado pelo presidente da Câmara Municipal de Juiz de Fora (CMJF), Juraci Scheffer (PT).

“Gostaríamos muito que a pandemia passasse o mais rápido possível e pudéssemos discutir outras pautas, mas sabemos que a prioridade agora, no Brasil e no mundo, é o combate à COVID-19 e suas consequências na saúde, social e economia. Esta é a primeira de muitas reuniões para que possamos construir saídas em conjunto para esses problemas”, relata Juraci, destacando o papel fiscalizador da CMJF. Na mesma linha, Margarida Salomão explicou a necessidade do contato entre Legislativo, Executivo e o comitê. “Queremos sublinhar a diferença deste grupo. Este é um comitê científico e não deliberativo, com cientistas que nos assessoram e auxiliam na tomada de decisões com viés técnico", resumiu a prefeita.

Entre os temas tratados, os especialistas salientaram a imperiosa adesão da população às restrições; a ineficiência na condução do controle da pandemia no país; a escassez de oxigênio e kit intubação; e as ações de respostas a médio e longo prazos para as consequências da doença. Outros tópicos também foram debatidos pelos vereadores.

Medidas restritivas e ações em andamento

O que funciona em termos de redução de mobilidade? Esse foi um questionamento comum dos vereadores. Em geral, quanto mais absoluta for a restrição melhor vai ser o resultado, enfatizou o médico e pesquisador da Fiocruz/Minas, Rômulo Paes de Sousa. Ele exemplificou com os dados de Araraquara (SP) - única cidade do país que adotou lockdown - a associação direta do controle de mobilidade com a redução de contaminação. “Mas uma redução de mobilidade, ainda que parcial, também funciona. “Há quem seja contra por princípios, mas não há outra alternativa que funcione no Brasil uma vez que os modelos usados em outros países contam com contextos diferentes”. 

Sobre o uso do conceito de lockdown para Juiz de Fora, a secretária de saúde, Ana Pimentel, assim como os outros membros do comitê, reforçou que Juiz de Fora não está em lockdown, mas em restrições. “Lockdown foi feito em países da Europa, por exemplo, o Reino Unido e na França, país que adota a medida pela 4ª vez”. Em resposta aos vereadores Tiago Bonecão (CIDADANIA), Sargento Mello Casal (PTB), João Vagner Antoniol (PSC) e Vagner de Oliveira (PSB), o médico Fernando Basile apresentou algumas diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que haja flexibilidade nas restrições de mobilidade: são necessárias, no mínimo, 3 semanas seguidas com quedas no número de óbitos e expressiva no número de infectados; e menos de 30% de positivação. Em Juiz de Fora, hoje, esse índice está acima de 60%. Ele lembra que Juiz de Fora não está em lockdown, mas a restrição de mobilidade achata a curva e diminuiu a  transmissão. 

O espírito de coletividade no controle da doença também é apontado pelos médicos e pesquisadores como fundamental. Fernando enfatizou que tampouco, no caso de Juiz de Fora, há respeito ao isolamento social e aos protocolos. “A prevenção é coletiva e não individual. Usar a máscara, se vacinar e isolamento são ações coletivas”. Em questionamento sobre tratamento precoce, o médico e infectologista Rodrigo Daniel de Souza explicou que não há tratamento precoce para a doença com comprovação científica. “É ruim ficar impotente, mas não existe tratamento comprovado que atue precocemente”. Ele criticou a circulação de desinformações que desestimulam a população ao conhecimento com respaldo científico. Os pesquisadores foram unânimes em apontar a necessidade de uma comunicação dos poderes públicos envolvidos que seja coerente com as normas sanitárias divulgadas a partir do conhecimento científico, e não baseadas em opiniões sem respaldo na ciência.

Desde janeiro, Juiz de Fora ampliou em 40% o número de leitos de UTI destinados ao tratamento de pessoas com COVID-19, saindo de 100 para 140 leitos, de acordo com a secretaria de saúde. O aumento no número de leitos de enfermaria, de kits de intubação e insumos, além de EPIs, serão adquiridos o mais rápido possível, afirmou a secretária de saúde, Ana Pimentel. Mas as ações de controle da pandemia não estão restritas à cura da doença. De acordo com dados apresentados pelo médico e pesquisador Rodrigo Sousa, há o desabastecimento de medicamentos e EPIs no país e os efeitos da doença podem chegar a matar ¼ dos infectados depois da alta, com as complicações mesmo depois da cura da COVID-19.  

Em resposta à preocupação dos vereadores André Luiz (REPUBLICANOS) e Maurício Delgado (DEM) com a saúde mental da população da cidade, a secretária de saúde garantiu que será feito monitoramento dos casos de problemas psicológicos, efeitos de médio prazo que acometem a população. Já Fernando respondeu que não há ainda estudo mostrando excedente de óbitos de doenças relacionadas ao isolamento. “O que há de concreto é o aumento de violência doméstica”. Fernando apresentou também que houve redução em outros tipos de óbito, como o caso de traumatologias relacionadas ao trânsito. “Haverá um excedente de mortes por COVID-19 com impacto maior esse ano do que no ano passado”. 

Ações equivocadas e melhores caminhos para JF

Dentre os destaques do médico e pesquisador da Fiocruz/Minas, Rômulo Paes de Sousa, há um agravamento da epidemia no Brasil associado a três principais aspectos: não utilização de isolamento do vírus; a variante B1, surgida em Manaus e com maior capacidade de infectar e que já está espalhada pelo país; e a necessidade de vacinação urgente. Ele comparou também as decisões adotadas pelo Brasil com as medidas de outros países e a discrepância no controle da pandemia. “Com relação às medidas a serem tomadas pelo poder público, “quanto mais profunda for a decisão e mais profunda forem as ações, mais rápido teremos retorno positivo das nossas ações ou haverá prolongamento do sofrimento”, ponderou em sintonia às falas das vereadores Tallia Sobral (PSOL), Cida Oliveira (PT) e Laiz Perrut (PT).

Uma mudança nos índices da doença se mostrará positiva quando o país ultrapassar a marca de 25% da população imunizada, aponta Rômulo. Há atualmente 13 vacinas e outras 73 em testes. Destas 13 que existem, estamos trabalhando no país com 2 e outras 4 começam a ser apresentadas no mercado brasileiro”. Ele apontou ainda os erros na condução da pandemia com o não interesse em compra de vacinas, quando todos os países que atualmente estão em estágio avançado de vacinação o fizeram. “Poderíamos ter comprado em agosto”. Questionado sobre comparação com outros países, o pesquisador esclareceu que as medidas que funcionam em determinados países, como no Japão, estão associadas ao acesso à informação correta e científica e à confiança da população no governo. Uma medida adotada em várias cidades e considerada inútil para Rômulo Paes é o toque de recolher das 23h às 5h. Para ele, nestes casos não há efetivo impedimento na circulação das pessoas. “É fundamental adotar medidas que sejam com prazo determinado, mesmo que seja difícil”.  

Situação econômica e diálogo

Em uma radiografia da situação do país para a fragilidade gerada pela desarmonia dos entes federativos quanto às diretivas que devem ser seguidas pela população, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ignácio Delgado, salienta que a única maneira de enfrentar o problema localmente é uma pactuação dos setores econômicos para ação coordenada que combine a retomadas das atividades econômicas com o combate à pandemia - principalmente com campanha educativa envolvendo as entidades representativas para ações mais responsáveis da população. Ele reforçou que a criação do Fórum Pela Vida, com representação do comércio, cursos livres, shoppings já traz bons resultados neste cenário de caos normativo. 

O secretário Ignácio divulgou que está em estudo um plano de rearranjo em parceria com as secretarias da Fazenda e de Saúde para permitir que as atividades voltem com mais segurança e com medidas a serem tomadas para mitigar os impactos negativos para os setores econômicos mais atingidos. Sobre o retorno às aulas, Ana Pimentel apresentou ainda que já estão prontos os protocolos de retorno das atividades escolares, construídos em parceria com a secretaria de educação. “Assim que passe a curva mais acentuada de contaminação serão colocados em prática”. 

Fazem parte do Comitê Científico o dr. Fernando Antonio Basile Colugnati, médico e professor da Faculdade de Medicina da UFJF; o dr. Rodrigo Daniel de Souza, médico infectologista da Rede Municipal de Saúde; e o dr. Rômulo Paes de Sousa, médico e pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz/Minas). Estiveram presentes também os secretários da saúde e desenvolvimento, respectivamente, Ana Pimentel e Ignácio Delgado.   

 

Mais informações: 3313-4734/ 4941 - Assessoria de Imprensa

 


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