Publicada em: 11/03/2021 - 220 visualizações

Vereadores da Zona da Mata e Vertentes debatem soluções sanitárias em meio ao agravamento da pandemia da COVID-19

Vereadores da Zona da Mata e Vertentes debatem soluções sanitárias em meio ao agravamento da pandemia da COVID-19 (11/03/2021 00:00:00)
  • É como se morressem todos os dias o equivalente à queda de dez aviões cheios por dia. Assim começou o encontro das câmaras municipais da Zona da Mata e Vertentes nesta quinta-feira, 11. As 2.349 mortes registradas na noite de quarta-feira deram o tom do debate e das preocupações que assolam o...
 

Representantes do Legislativo de cerca de 60 cidades responderam ao convite feito pelo presidente da Câmara, Juraci Scheffer, para o encontro virtual; os vereadores apresentaram seus desafios e ações locais e farão um manifesto único por mais vacina e testagem em massa

"É como se morressem todos os dias o equivalente à queda de dez aviões cheios por dia". Assim começou o encontro das câmaras municipais da Zona da Mata e Vertentes nesta quinta-feira, 11. As 2.349 mortes registradas na noite de quarta-feira deram o tom do debate e das preocupações que assolam o Poder Legislativo da região. O mobilizador e anfitrião do encontro, o presidente da Câmara Municipal de Juiz de Fora (CMJF), Juraci Scheffer (PT), propôs o estreitamento do relacionamento dos representantes eleitos da região para buscar o desenvolvimento econômico e soluções para os problemas sanitários em conjunto.

“Estamos nos reunindo aqui para que nossos Legislativos possam ter mais voz, para buscar recursos e ideias para combatermos juntos a pandemia, seu impacto na saúde, na economia, no social e na educação. Minas Gerais registrou, até ontem, 19.824 mortos pela pandemia. Se considerarmos as mortes por dia no país, é como se um município como Ewbank da Câmara sumisse do mapa, e isso é muito sério”, destacou Scheffer, pontuando que a falta de um direcionamento geral na condução das ações de enfrentamento fortalece a responsabilidade dos gestores públicos municipais.

A reunião remota durou três horas e contou com a presença de representantes de câmaras municipais de 58 cidades do entorno de Juiz de Fora. Com direito a fala até por dois minutos, cada município compartilhou um pouco da sua experiência local, como está a realidade do distanciamento social, e dos desafios que enfrentam. Cidade vizinha de Juiz de Fora, Matias Barbosa-MG, conta com a marca de 22 mortos na cidade, fato que foi o destaque da fala do vereador Anselmo Leopoldino. Ele apresentou as alterações nos serviços da cidade e as ações de isolamento e atividades remotas. A presidente da Câmara de Novo Oriente de Minas-MG, Malu Rodrigues, falou sobre o que chamou de caos numa cidade de 14 mil habitantes.

Há semelhanças no combate à COVID-19 que contrastam com as dificuldades próprias de cada localidade. Representantes de cidades consideradas de menor porte explicaram, por exemplo, que medidas de restrição de atividades nestes locais nem são tão consideráveis, apesar de estarem incluídos no programa estadual Minas Consciente, por causarem impacto pequeno de público e fluxo de pessoas, diferentemente de Juiz de Fora que, na avaliação do grupo, tem uma população muito maior e recebe, naturalmente, pessoas de outras cidades. Entre os depoimentos que mostram esses contrastes está o de Espera Feliz-MG: o vereador Paulo Felipe contou que, além da pandemia, eles enfrentam as consequências das enchentes dos últimos meses. “Mal começamos a nos recuperar da fase mais agressiva da pandemia até então, vieram as enchentes e, agora, uma nova onda”, resumiu. 

Como encaminhamento da reunião, o grupo irá fazer um Manifesto do Legislativo a ser assinado pelos representantes da região, solicitando mais vacinas e testes. A ideia é que as cidades que dividem o mesmo sistema de saúde, as mesmas vagas para internação disponíveis, também compartilhem um discurso único, buscando recursos e adotando as medidas necessárias de controle da COVID-19. A intenção do presidente da CMJF é que o diálogo continue: “Estamos agora em guerra contra a pandemia e esta deve ser a pauta principal de todo representante público. Porém, proponho encontrarmos de novo, para falar sobre desenvolvimento regional, turismo, condições das estradas. Unidos temos mais força”, destacou. Juraci também colocou à disposição orientações para a implantação em outros municípios dos serviços prestados aos cidadãos de Juiz de Fora, como o Centro de Atenção ao Cidadão (CAC) e o Sedecon.

O vereador e presidente da Câmara de Paula Cândido-MG, Revelino Lama, propôs a criação de um grupo  em aplicativo de mensagem com todos os vereadores: "os menores que têm menos voz terão mais espaços para se manifestarem". 

Vereadores de Juiz de Fora também participaram da mobilização regional

A vereadora Cida Oliveira (PT) reforçou as críticas já realizadas pela Fiocruz sobre a falta de testagem no país e a má condução das ações de enfrentamento. A vereadora colocou à disposição de outras cidades o projeto de lei para a testagem da população. Também parlamentar pelo PT, a vereadora Laiz Perrut lembrou ainda sobre a conscientização da união para encontrar soluções solidárias para quem teve de fechar o comércio e para as pessoas que perderam o emprego. "Só o comércio fechar não vai acabar com a pandemia, mas também a conscientização para o isolamento". A vereadora concluiu destacando que apresentou um PL para a compra direta de vacinas e, assim, avançar no número de pessoas imunizadas. 

Para o vereador Sargento Mello Casal (PTB) a solução reside no investimento em vacinas e no tratamento precoce. Outro apontamento do vereador foi sobre a necessidade de seriedade no controle do transporte público, o que diminuiria em 17% a transmissibilidade. Para Mello Casal, o distanciamento social não dá certo porque a população não respeita mais. "Precisamos procurar outros meios e estratégias". A preocupação com o transporte público também foi o ponto alto da fala da vereadora Kátia Franco Protetora (PSC). 

Já o vereador Bejani Júnior (PODE) exaltou o aspecto democrático de um evento que reúne lideranças políticas da região. De acordo com ele, a taxa de contaminação de Juiz de Fora saltou de 0,7 a 1,4. Bejani comparou as diferentes condições dos municípios da Zona da Mata e a preocupação com a possibilidade de as situações extremas de Manaus e outras cidades de São Paulo se repetirem. O aspecto democrático foi também o destaque do vereador Maurício Delgado (DEM), que sugeriu outras reuniões com a presença de secretários de saúde. O vereador também mostrou preocupação com ações específicas durante o feriado da Semana Santa. 

A vacina também foi defendida pelo médico Dr. Antônio Aguiar (DEM). "Acompanho quase 20 famílias, algumas delas com cinco ou seis pessoas contaminadas. Não há outra alternativa que não seja a vacina". O vereador reforçou que há escassez de vacinas para a imunização de grande parte da população. "Temos a necessidade de organizar uma assistência de qualidade para garantir a possibilidade de sobrevivência àquelas pessoas que vão apresentar quadros mais graves". Uma das propostas do vereador é a maior participação nas centrais de regulação de leitos hospitalares para acompanhar critérios e prioridades.  

A testagem também foi defendida pela vereadora Tallia Sobral (PSOL). Ela ponderou sobre o aumento no índice de contaminação e na mudança de perfil nos casos graves. A vereadora, que  também é professora, enfatizou ainda os casos de crianças doentes. A troca de conhecimentos entre os gestores e vereadores foi um dos destaques do vereador Vagner de Oliveira (PSB), que tem experiências como prefeito em dois  mandatos no município de Chácara, cidade do interior do estado, e também como legislador, em três mandatos, já em Juiz de Fora. Vagner falou sobre a importância de compreensão das realidades de cada município na gestão da pandemia. 
 

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