Publicada em: 17/10/2007 - 412 visualizações

Câmara debate direito dos homossexuais em audiência pública

Câmara debate direito dos homossexuais em audiência pública (17/10/2007 00:00:00)
 

Câmara debate direito dos homossexuais em audiência pública

       Atendendo a requerimento do vereador Paulo Rogério dos Santos (PC do B) a
       Câmara Municipal discutiu, em audiência pública, os direitos humanos e
       sociais relacionados às políticas públicas destinadas à população gay,
       lésbica, travesti, transgênero, e transexual. O motivo da convocação foi a
       apresentação, por Paulo Rogério, de um projeto de lei incluindo a Semana da
       Cidadania e do Orgulho GLBT no Calendário Oficial de Eventos do Município. A
       proposta foi enviada à Câmara como mensagem do Executivo, mas retirada após
       a intervenção do CONPAS (Conselho de Pastores de Juiz de Fora).Esta Casa deve espelhar o desejo da comunidade e da sociedade. Somos,
       acima
       de tudo, cidadãos brasileiros e queremos aceitação. Isso é da natureza do
       ser humano. Não vejo motivos para não incluir os eventos gays no nosso
       calendário, que já abriga a Marcha Para Jesus, dos Evangélicos. Então porquê
       não contemplar o movimento gay?, questiona o vereador.
       Na platéia as opiniões se dividiram entre os que apoiavam e os que
       desaprovavam a matéria. No plenário, representantes da Igreja Evangélica e
       pastores usaram a palavra e na mesma linha defenderam a não inclusão dos
       eventos GLBT no calendário oficial do município alegando que a prática
       homossexual vai de encontro à sagrada escritura.Não podemos admitir esse
       desvio de comportamento na sociedade. O que os gays pretendem é uma forma de
       privilegiar sua classe, afirmou o presidente do CONPAS, Pastor Aloísio
       Penido.
       O posicionamento também foi defendido pelo Arcebispo Metropolitano Dom
       Eurico dos Santos Veloso.Não podemos construir uma sociedade do jeito
       que
       cada um quer. Não podemos exigir que a sociedade aceite o que uma minoria
       deseja, afirmou o Arcebispo.
       Diversos representantes do Movimento Gay usaram a palavra para defender a
       inclusão dos eventos no calendário da cidade. Marco Trajano, do Movimento Gay
       de Minas, afirmou que a Câmara Municipal faz parte de um Estado Laico e não
       pode ser palco de discussões religiosas. Devemos primar pela nossa
       Constituição Federal que nos garante o direito a uma cidadania plena e sem
       exclusão, afirmou.
       Suas palavras foram endossadas pelo presidente da Associação Brasileira de
       Gays, Oswaldo Braga.Esta Casa Legislativa é o lugar onde a Constituição
       deve valer mais que qualquer outro livro. Nós, homossexuais dessa cidade,
       participamos do progresso e do crescimento de Juiz de Fora e não podemos ser
       alijados do processo de cidadania, falou.
       Já o professor da Faculdade de Turismo da UFJF, e representante do Miss
       Brasil Gay, Marcelo Do Carmo, explicou que os três maiores eventos
       turísticos da cidade são os da Semana do Orgulho Gay.
       O projeto de lei do vereador Paulo Rogério ainda recebeu o apoio de
       representantes da Fasubra (Federação de Sindicatos de trabalhadores das
       Universidades Brasileiras), do Fórum de Entidades Negras, Conselho Tutelar,
       do Convention Bureau, Ordem dos Advogados do Brasil e Associação Brasileira
       dos Profissionais em Turismo.

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