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Oscar Niemeyer recebe Moção de Aplauso no centenário do seu nascimento “Um homem que fez da arquitetura uma obra de arte e de beleza”. Assim, o vereador José Sóter de Figueirôa (PMDB) define Oscar Niemeyer, que completa 100 anos de vida. A Câmara Municipal de Juiz de Fora comemora o seu centenário com a aprovação de Moção de Aplauso, apresentada pelo peemedebista, exaltando o trabalho e a postura que o arquiteto sempre assumiu “por um mundo melhor, mais igualitário, fundado nas verdadeiras premissas socialistas”.
A técnica e a linha ideológica seguidas por Niemayer o transformaram num ídolo para os jovens estudantes. Então integrante do Diretório Acadêmico (DA) de Engenharia da UFJF, Figueirôa se lembra de um convite feito para que realizasse uma palestra na instituição. O Brasil vivia o governo militar e o arquiteto foi impedido de entrar no campus. O evento teve que ser transferido para a Sociedade de Medicina e Cirurgia. Em protesto contra o impedimento, ao final, os estudantes carregaram Niemeyer nos ombros até a rua Halfeld, o coração da cidade.
Formado pela Escola Nacional de Belas Artes, Niemeyer passa a atuar no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão, convidado pelo ministro da Educação e Saúde, Gustavo Capanema, para projetar o novo edifício do Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro. A obra estava inserida no contexto do Estado Novo, que tentava transformar o país em potência agrícola, exportadora de café, e industrializada.
Em 1940, Niemeyer conhece Juscelino Kubitschek, então prefeito de Belo Horizonte. Através dele, desenvolve o seu primeiro trabalho individual, o conjunto Pampulha, com um estilo que marcou seu trabalho. O arquiteto utiliza de propriedades estruturais do concreto armado para dar formas sinuosas aos prédios.
Com a eleição de Juscelino presidente do Brasil, em 1956, é desenvolvido um projeto ambicioso; o de levar a capital nacional para uma região despovoada do centro do país: Brasília. A intenção era de desenvolver a indústria, incentivar o progresso e integrar áreas distantes. Em poucos meses, Niemeyer projeta dezenas de edifícios residenciais, comerciais e administrativos. Entre eles, o Palácio da Alvorada, o Congresso Nacional, a Catedral de Brasília, os ministérios, o Palácio do Planalto. A cidade ganha a forma de avião e elementos que se repetem em todos os prédios. Conceitos modernistas são seguidos, com prédios erguidos sob pilotis e integrados à natureza.
Nos anos 80, Niemeyer se destaca com obras como os Memoriais JK e da América Latina, em São Paulo. Mas foi na década de 90 que realiza o que muitos consideram sua obra prima, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC).
O reconhecimento de seu trabalho se dá tanto em nível regional, com o projeto da residência do industrial Chico Peixoto e do Colégio Cataguases, na cidade do mesmo nome, quanto em nível mundial. Niemeyer integrou a equipe de arquitetos renomados responsáveis pela projeto da sede das Nações Unidas, em Nova Iorque. Ele responde ainda pelo desenho da Universidade de Constantine, na Argélia; a sede do Partido Comunista Francês e da Editora Mondadori, na Itália. No momento, o arquiteto prepara-se para a construção de um centro cultural com seu nome, na Espanha. |