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Flávio Cheker discute fechamento da Casa de Parto em Juiz de Fora “Estamos à frente de outros municípios no que diz respeito à aprovação e execução de programas que humanizam os partos, contribuindo assim para diminuir a mortalidade materna em Juiz de Fora”. O argumento pontuou a audiência pública, solicitada pelo vereador Flávio Cheker (PT), para discutir o possível fechamento ou transferência de local da Casa de Parto, mantida pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).
A discussão foi calorosa, principalmente depois do depoimento do representante da UFJF, o professor de Direito e secretário de Assuntos Jurídicos, Nilson Rogério Pinto. Na sua opinião, a Casa de Parto não segue as normas nacionais previstas para esse tipo de instituição como a manutenção de profissionais e equipamentos necessários para a realização dos trabalhos. Em sua exposição, o professor explicou sobre os riscos de se manter funcionando um lugar sem medicamentos necessários, ambulância a disposição e profissionais capacitados para atenderem urgências e emergências, caso seja preciso. “A Universidade não está contra a Casa de Parto, mas mantê-la tem sido oneroso para a UFJF, uma vez que, seus gastos são muito maiores do que os recursos adquiridos”, disse.
Para Terezinha da Costa, coordenadora da Casa de Parto, a confiança que os profissionais da instituição transmitem as gestantes, acompanhando-as em todos os seus processos, antes e depois do nascimento do bebê, reduz a ansiedade, proporcionando ambiente seguro e tranqüilo para o parto. A mesma opinião segue a sua vice-coordenadora, Maria das Dores Souza, que chegou a citar as elevadas taxas de mortalidade materna em Juiz de Fora e região. Ela solicitou maior atenção das autoridades, pedindo medidas “concretas” que possam amenizar essa realidade. “Estamos apelando para a sensibilidade de todos: continuem lutando para que a Casa de Parto volte as suas atividades. O lugar esta aberto desde 1999 e tem alcançado grandes resultados. Essa audiência é o primeiro passo para estreitar, ainda mais, a relação democrática entre a sociedade, que é usuária, e as autoridades, que são os nossos representantes e nossa voz”, disse.
O projeto da Casa de Parto segue as orientações da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASCO), que prevê maior humanização do atendimento. Estudos comprovados através de documentos da Unicef, de 1994, afirmam que, nas últimas décadas, a quase totalidade dos partos tem ocorrido em ambiente hospitalar. O modelo de atenção vigente na maioria dos serviços é o modelo tecnológico, com percepção do parto e nascimento como atos médicos, com pouca valorização dos aspectos sociais e efetivos.
Em 1996, a Organização Mundial de Saúde lançou a publicação “Care in normal birth: a pratical guide”, uma importante referência bibliográfica relativa aos cuidados de assistência prestada à mulher durante o trabalho de parto. Nesse documento está incluído, inclusive, o direito da gestante de escolher o seu acompanhante, o que acontece na Casa de Parto
Depoimentos emocionaram o plenário como o da médica carioca e PHD em Ciência do Início da Vida, Eleanor Madruga Luzes, que veio a cidade somente para participar da audiência. Para ela, muitos problemas sociais dos grandes centros, ligados a violência, estão no “desrespeito ao momento do parto. Todas as mulheres têm o direito de escolher como querem dar a luz a seus bebês, isso também é direito humano”, disse.
Rosana Paes, representante do Conselho Regional de Enfermagem, falou um pouco sobre as funções assumidas pelos profissionais da área na Casa de Parto. Ela explicou que todos estão capacitados para desenvolverem o trabalho e que “não há impedimento legal que os impeçam de assumirem suas funções na instituição”.
Flávio garantiu que irá levar as propostas e as manifestações de protesto ao reitor da UFJF, Henrique Duque, no sentido de sensibilizá-lo a permitir que a Casa de Parto volte as suas atividades. “Não podemos deixar que essa tão importante parceira das gestantes fique fadada a fechar suas portas sem interlocutores para fazerem sua defesa. Nós estamos empenhados nessa luta e faremos de tudo para que a Casa de Parto da UFJF, umas das pioneiras no país, não encerre os seus trabalhos de forma tão penosa para a sociedade”, disse.
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