Brasão de Juiz de Fora CĀMARA MUNICIPAL DE JUIZ DE FORA

Proposição: PLEI - Projeto de Lei
Número: 111/2019  -  Processo: 8450-00 2019

JUSTIFICATIVA

A presente homenagem se dá em função do reconhecimento literário e cultural promovido pelos poetas através de escritos que manifestam o que há de mais nobre e afetuoso no sentimento humano. E para dar sentido e significância a este justo reconhecimento, propomos como o dia da sua condecoração 13 de maio, por coincidir com o dia do nascimento do poeta e escritor Murilo Mendes e o dia do falecimento do escritor e memorialista Pedro Nava, dois dos maiores nomes da literatura juizforana.

Murilo Monteiro Mendes nasceu em Juiz de Fora no dia 13 de maio de 1901. Iniciou seus estudos na sua terra natal. Entre 1912 e 1915, estudou poesia e literatura. Em 1917 foi para Niterói e ingressou no Colégio Interno Santa Rosa, porém, fugiu do colégio e se recusou em

voltar. Nesse mesmo ano, foi para Rio de Janeiro com seu irmão mais velho, o engenheiro José Joaquim, que o colocou como arquivista na Diretoria do Patrimônio Nacional.

Em 1920, passou a colaborar com o jornal "A Tarde", de Juiz de Fora, produzindo artigos para a coluna Chronica Mundana, com a assinatura MMM e depois com o pseudônimo "De Medinacelli". Em 1924, passou a escrever poemas para as duas revistas modernistas: "Terra Roxa e Outras Terra" e "Antropofagia".

Em 1930, lançou seu primeiro livro "Poemas'', revelando nessa primeira fase de sua poesia a influência do Movimento Modernista, quando aborda os principais temas e procedimentos do Modernismo brasileiro dos anos 20, como o nacionalismo, o folclore, a linguagem coloquial, o humor e a paródia. Escreve ainda: "Bumba-Meu-Preta" (1930) e "História do Brasil" (1932).

Em 1947, Murilo Mendes casa-se com Maria da Saudade Cortesão, poetisa e filha de Jaime Cortesão, historiador e poeta português exilado no Brasil durante o regime ditatorial de Salazar, em Portugal. Entre 1952 e 1956, residiu com a mulher na Europa, em missão cultural na Bélgica e na Holanda. Em 1957 vai para a Itália como professor de Cultura Brasileira na Universidade de Roma.

Até o final de sua carreira, Murilo Mendes trilhou outros caminhos, como a busca do formalismo clássico e as experiências com a linguagem subjetiva, concreta, momento em que já vivia na Europa. Em 1972, Murilo Mendes veio pela última vez ao Brasil.

Murilo Mendes faleceu em Portugal no dia 13 de agosto de 1975.

Pedro da Silva Nava, nascido em Juiz de Fora a 05 de junho de 1903 e falecido no Rio de Janeiro RJ em 13 de maio de 1984. Memorialista, ilustrador e médico. Filho do médico José Pedro da Silva Nava e Diva Mariana Jaguaribe Nava. Em 1921 inicia curso na Faculdade de Medicina de Minas Gerais e forma-se em 1927. Faz parte do grupo responsável pela edição de A Revista, primeira publicação do movimento modernista mineiro, ao lado, entre outros, do poeta Carlos Drummond de Andrade (1902 - 1987). Encontra-se, em 1924, com a caravana modernista que apresenta o Brasil ao poeta suíço Blaise Cendrars (1887 - 1961), da qual participam Mário de Andrade (1893 - 1945), Oswald de Andrade (1890 - 1954) e Tarsila do Amaral (1886 - 1973). Além da literatura, dedica-se ao desenho, ilustrando, entre outros, Macunatâna, de Mário de Andrade. Exerce a medicina com muito afinco, e faz diversas viagens profissionais à Europa, principalmente à França. Em 1933, muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha em diversos hospitais até tornar-se chefe da Policlínica Geral do Estado. Publica dezenas de artigos em revistas científicas e livros sobre medicina. Seu poema O Defunto é incluído na Antologia dos Poetas Bissextos Contemporâneos, organizada pelo também poeta Manuel Bandeira (1886 - 1968), em 1946. No ano seguinte publica seu primeiro livro, Território de Epidauro. Aos 64 anos de idade, no dia 1° de fevereiro de 1968, dá início à redação de suas memórias, publicadas em 5 volumes - Baú de Ossos, de 1972; Balão Cativo, de 1973; Chão de Ferro, de 1976; Beira-Mar, de 1978; Galo-das-Trevas - As Doze Velas Imperfeitas, de 1981, e O Círio Perfeito, 1983. No seguinte à publicação, Baú de Ossos recebe o Prêmio Luisa Cláudio de Sousa, do Pen Club e o Prêmio Personalidade Global — setor literatura, da Rede Globo de Televisão e do jornal O Globo. É agraciado, em 1974, com o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte - APCA. Em 1975, em crise, redige uma carta aberta e demite-se da Policlínica. É empossado, em 1983, no cargo de presidente em comissão do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural do Rio de Janeiro. Autor premiado, sua obra memorialística tem um estilo sóbrio e elegante, trata de assuntos essenciais como a morte, o esquecimento e o esfacelamento do passado.

Por essas razões, dentre outras de fácil compreensão, contamos com a aprovação do presente projeto de lei pelos Senhores Vereadores, aos quais agradecemos antecipadamente.

Juraci Scheffer

Vereador — PT



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