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03/04/2020

Prefeito reafirma isolamento social e apresenta dados das condições do município para enfrentamento à pandemia da COVID-19

Almas chamou atenção para o risco de colapso na saúde e a necessidade de cooperação dos setores empresariais e da população. Emendas parlamentares dos vereadores somam R$ 1,9 milhão destinados à compra de EPI. Estimativa é de que pico da epidemia aconteça entre 15 de abril e 15 de maio. Prefeitura enfatiza que segue as determinações do Ministério da Saúde para controle do contágio


 

Em entrevista coletiva realizada no plenário da Câmara Municipal nesta sexta-feira, 3, o prefeito Antônio Almas (PSDB) destacou a liberação de emendas parlamentares dos vereadores já investidas na compra de EPI; os números de leitos disponíveis nas redes pública e privada; a falta de respiradores artificiais; a ampliação do prazo de isolamento social; parcerias com a UFJF, iniciativa privada e entidades representativas; o risco de colapso no atendimento na área de saúde; e a escassez de exame para detectar a COVID-19. Para garantir o isolamento social, os jornalistas não estavam no plenário e as perguntas foram enviadas anteriormente e aglutinadas para facilitar as respostas. 

Medidas de enfrentamento

Em relação ao posicionamento da cidade na condução das medidas de enfrentamento, Almas esclareceu que há ações coordenadas entre as regionais e o Governo do estado. Ele afirmou que já houve reunião na Superintendência Regional da Saúde, em que ficou definida a articulação e comando da superintendência em Juiz de Fora nas ações dos hospitais Universitário e Dr. João Penido, centros de referência na macrorregião. “Podemos trabalhar pensando na microrregião de Juiz de Fora com o olhar voltado para uma população de 1,5 milhão de pessoas”. Ele ressaltou que, na noite de quinta-feira, havia em Juiz de Fora 210 leitos de terapia intensiva. Desses, 113 são públicos e 97 privados. “Temos 14,5% dos leitos vagos - o que representa 31 leitos de UTIs disponíveis para o tratamento da COVID-19. Já em relação à enfermaria são 1401 leitos, sendo 693 livres e 708 ocupados por outras patologias”.   

Equipamentos de segurança e respiradores

O prefeito assegurou que foram investidos R$ 2,6 milhões na compra de EPI. De acordo com ele, desse montante, R$1,9 milhão são oriundos das emendas parlamentares dos vereadores, e os R$ 800 mil restantes são provenientes do Tesouro Municipal. Questionado sobre a compra de respiradores artificiais, ele destacou a importância de compreensão para a dificuldade em adquirir respiradores. “Os respiradores artificiais, tão importantes, estão em falta para aquisição. O Ministério da Saúde (MS) assumiu a responsabilidade da compra. Há, inclusive, empresários da cidade que tentaram comprar e não conseguiram. Agora aguardamos o MS e a liberação de outros 10 leitos no hospital Dr. João Penido pelo Governo do estado. Ele ainda destacou que “se não for feito isolamento e distanciamento social teremos problemas sim. A única forma de não colapsar o sistema é ficando em casa. Não há outra hipótese [...]. Para o momento atual esses números são aceitáveis, mas para daqui a 15 dias, não sei. Vai depender da população. Trabalhamos criando cenários e, no pior deles, não teremos sequer respiradores artificiais, nem em JF, nem em Minas Gerais, nem no Brasil, como não há em países em situação econômica melhor que o Brasil”. Sobre recebimento de respiradores, Almas disse acreditar no reconhecimento de Juiz de Fora como central regional da macrorregião. “O estado sabe da importância do número maior de respiradores na cidade”. 

Subnotificação

Sobre a quantidade de casos identificados no município, Almas acredita que o que existe é um problema de confirmação de dados e não de subnotificação. “O que temos hoje são 789 casos suspeitos. Mantivemos 36 casos confirmados e 8 óbitos em investigação. 

Hospitais de Campanha 

“É bom que se esclareça que o hospital de campanha nunca foi deixado à margem”, disse o prefeito, apontando que a PMMG está na coordenação dos trabalhos. No entanto, mesmo que haja a necessidade dos hospitais de campanha, existe como prioridade a ampliação nas áreas dos hospitais. Ele explicou que a medida traz mais segurança aos pacientes e equipe de profissionais. “Precisamos ampliar as vagas de UTI e enfermarias, de exames complementares e tomografias”. Ele ainda enfatizou que, se necessário, haverá instalação de hospitais de campanha. 

Orientação para a população 

Questionado sobre a sensação de pânico da população, o prefeito expôs que dos 36 pacientes diagnosticados por exame, 32 estão em tratamento em casa. Apenas 4 estão hospitalizados, sendo um em estado grave. “Se os nossos números não chegarem nos piores cenários é sinal de que fizemos certo e que quem ficou em casa ajudou muito. Não podemos arriscar”. “Pelos números mundo afora, no momento do pico, poderemos ter grandes dificuldades, em escala muito grande no número de óbitos. Não queremos chorar os mortos. . 

Testes

Almas destacou que há parceria com professores e técnicos da UFJF com acompanhamento do cenário todos os dias. Ele apontou que poucos países conseguiram testar toda a população, algo impossível para a realidade brasileira. Ele enfatizou que os critérios adotados para aplicação dos testes são os mesmos emanados pelo MS. De acordo com ele, a parceria com a UFJF  possibilitaria realizar até 500 testes por semana, dentro dos critérios já determinados pelo MS. “Os laboratórios privados locais encaminham as coletas para os laboratórios chancelados pelo MS ou por suas secretarias estaduais. No setor público quem atua é a Fundação Ezequiel Dias. 

Repasses 

Sobre repasse do Governo Federal, o prefeito disse que já chegou a Juiz de Fora R$ 1,6 milhão, e contou que ainda há emendas de deputados que,  no entanto, ainda dependem de trâmite burocrático para liberação. Quanto a repasse do Governo do Estado, há ainda R$ 1,1 milhão. 

Estimativa de mortes

Sobre número de mortes possíveis em Juiz de Fora, Almas prefere não apresentar os dados. Segundo ele, os números mudam e dependem, principalmente, de como a população vai ajudar com o isolamento social.  A expectativa é de que a população faça o isolamento. Por outro lado, “quero deixar claro que há um fluxo próprio ao HPS para os pacientes com síndrome respiratória e existem 64 leitos já disponibilizados na instituição. Ainda sobre a população, o prefeito destacou a tristeza de ver postagens sobre reciclagem de EPIs. “É preciso conversar com seriedade. É a pior crise depois da Segunda Guerra Mundial. Não é pra brincar com isso. Temos de ser responsáveis”.

Pico e atendimento na rede privada

O prefeito apontou que a expectativa é de que o pico aconteça entre 15 de abril e 15 de maio. “Vamos ver o resultado do isolamento que estamos insistindo à população. Por respeito a cada um, a nós, aos profissionais de saúde: fica em casa. Não é simples, mas precisamos fazer a nossa parte. Ele citou que cerca de 30% da população da cidade conta com saúde complementar, de forma que haverá atuação da rede particular de saúde.  Ainda salientou que, “caso os quadros aumentem, outros hospitais e outros leitos serão disponibilizados”.

Iniciativas 

Será feito um chamamento público para que todas as pessoas possam ter um local específico para destinação dos recursos, com transparência e fiscalização da Câmara e dos cidadãos. O prefeito explicou que está em andamento a centralidade para recebimento de recursos locais, como alimentação para crianças fora das escolas e alimentação para a população em situação de rua. “Estamos oferecendo 520 refeições por dia às pessoas em condições de rua”.  

Decreto e fiscalização 

O secretário de Fazenda, Fúlvio Albertoni, foi questionado sobre os estudos para amenizar as perdas no comércio e na indústria, além da possibilidade de mexer na taxa de esgoto. Ele respondeu que, na visão federativa, o município tem o menor poder arrecadatório e de dar respostas na questão econômica. “As principais ações têm de ser executadas pelo Governo Federal. O município é o que tem a menor arrecadação entre os entes. [...] Por isso, inclusive, estamos em conversas contínuas com representantes das entidades empresariais das atividades produtoras para identificarmos as demandas e em que podemos avançar nesse âmbito, mas sempre preservando a questão, nesse momento, de ficar em casa”. 

Sobre o impacto financeiro, Fúlvio justificou que no primeiro mês (em março) ainda não houve um impacto muito grande “O estado já fez uma estimativa de perda de mais R$ 50 milhões em Juiz de Fora referentes ao ICMS para o município. O que podemos dizer aos empresários é que busquem formas diferentes de atender o cliente. Sobre redução de carga horária, pode ser feita, internamente, pelas próprias empresas. Ele destacou a Medida Provisória (MP) 936, que traz redução das jornadas sem grandes perdas, porque o valor reduzido seria de responsabilidade do Governo Federal pelo auxílio desemprego. “O principal articulador da questão econômica é o Governo Federal. A principal despesa que o empresariado tem é a folha de pagamento, na qual o município não intervém em nada”.

Sobre a suspensão de pagamento de tributos e impostos, Fúlvio alegou que “é preciso lembrar que o município vive disso e não temos capacidade de gerar moeda. E o município precisa dos recursos. Quase 50% da receita própria do município são dos tributos. E sem isso, não dá para fazer frente às questões que são colocadas, principalmente na área de saúde e assistência. As questões dos impostos precisam ser avaliadas com muita responsabilidade para não trazer maiores problemas à população. 

O prefeito argumentou que “a nossa posição sempre foi a de que não houvesse embate, que fôssemos mais pedagógicos e que houvesse a responsabilização que cada um tem para a solução dessa grave crise. Mas poderemos chegar no limite de que só com a conversa não resolva. Pedimos a todo mundo que faça valer o decreto e que não tenhamos mais problemas do que já temos. Nenhum enfrentamento agora vai de forma efetiva melhorar a situação. O mais importante é o convencimento das pessoas. Que cada um de nós se convença a ficar em casa. Se o comércio abre nos bairros é porque estamos permitindo que ele abra por causa de procura [...] Vamos analisar a flexibilização, mas reafirmamos que estamos seguindo o ministro Mandetta, que tem reafirmado, reafirmado e reafirmado o isolamento social”. 

Em relação à carreata que protestou contra o isolamento social, Almas lembrou que segue as determinações do MS. Ele destacou que as manifestações foram tomadas por descumprimentos de código de trânsito. “Elas [as pessoas] podem se manifestar, mas foram de carro, estavam distantes. Entendemos que é um direito democrático”.

Saúdes emocional e financeira 

Almas apontou que a resposta para como lidar com as saúdes mental e financeira é a grande solução que o mundo inteiro está buscando. “A saúde financeira será garantida pelos países, pelos governos centrais. É um problema do mundo. China, EUA, Europa, América.”Ele destacou que ações culturais da Funalfa estão sendo produzidas, como campanha chamada “Viriliza Cultura”, em que convida artistas para que se apresentem pelas redes sociais. Ele lembrou também da visita virtual ao Museu Ferroviário para auxiliar na sanidade emocional. “Não é simples. A crise econômica já está muito grande, mas dá para recuperar. A vida não dá”, afirmou. 

Ano letivo

Em relação ao ano letivo, o prefeito salientou que a secretaria de educação está em análise e que uma decisão depende da evolução da contaminação para que a definição das medidas possam ser determinadas sobre dias letivos e carga horária. Almas lembrou que depende também das medidas adotadas pelo Governo Federal para as decisões. 

 

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